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Enzimas ganham espaço na indústria de papel ao combinar eficiência e sustentabilidade 


A indústria global de papel e celulose atravessa um momento de transição, impulsionado pela busca por maior eficiência energética, redução de custos e adequação a padrões ambientais mais rigorosos. Mesmo diante da digitalização, o setor segue relevante e em crescimento nos segmentos como embalagens e papéis tissue. Estimativas recentes indicam que o mercado global de papel deve continuar em expansão nos próximos anos, com destaque para soluções sustentáveis e processos produtivos mais eficientes. 

No Brasil, um dos principais players mundiais na produção de celulose, o avanço tecnológico tem sido determinante para manter a competitividade. O país figura entre os maiores produtores e exportadores globais, com forte presença em mercados internacionais e crescente adoção de práticas alinhadas à bioeconomia. Nesse cenário, tecnologias baseadas em biotecnologia têm ganhado espaço dentro das fábricas. 

Entre essas soluções, o uso de enzimas vem se consolidando como uma alternativa relevante. Classificadas como biocatalisadores, sua aplicação se estende a diferentes etapas, desde a desagregação da fibra até a melhoria da qualidade final do produto fabricado. Na prática, as enzimas contribuem para otimizar o processamento da polpa, melhorar a drenabilidade e favorecer características como resistência e ganhos óticos do papel. 

Aplicações industriais recentes indicam ganhos relevantes com o uso de tecnologias enzimáticas na etapa de refinação, uma das etapas mais intensivas em consumo de energia. 

Em determinados casos, foi possível operar equipamentos com cerca de 85% da capacidade dos motores, mantendo as propriedades físicas nos mesmos níveis exigidas para papéis para embalagem. Esse tipo de resultado aponta para uma redução significativa no consumo energético, sem prejuízo as especificações do papel. 

Do ponto de vista ambiental, as enzimas também se alinham às demandas atuais da indústria. Produzidas a partir de fontes renováveis, essas soluções não utilizam hidrocarbonetos de origem fóssil e podem contribuir para a redução das emissões de CO₂. Além disso, o menor consumo de energia e de insumos químicos reforça seu papel em processos mais sustentáveis. 

Esse movimento acompanha diretrizes globais. Tecnologias baseadas em biotecnologia, como as enzimas, estão inseridas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e em iniciativas ligadas à química verde, sendo consideradas estratégicas tanto na União Europeia quanto no Brasil. 

Na América Latina, o uso dessas soluções já apresenta escala relevante. Atualmente, mais de 25 máquinas de papel utilizam enzimas de refino desenvolvidas pela CHT, muitas delas com aplicações contínuas ao longo da última década. O dado indica não apenas a viabilidade técnica da tecnologia, mas também sua consolidação como parte das estratégias industriais do setor. 

Ao integrar ganhos operacionais e benefícios ambientais, as enzimas reforçam uma tendência mais ampla: a transformação da indústria de papel em um agente ativo dentro da bioeconomia, conciliando produtividade com responsabilidade ambiental. 

(Fonte: Portal Packaging, 17 de Abril de 2026) 

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