Conflito no Oriente Médio já afeta preço dos plásticos
06/04/2026
Instabilidade geopolítica gera um efeito cascata que impacta desde o custo da matéria-prima até o preço final da embalagem

O mercado brasileiro de embalagens enfrenta um cenário de alta volatilidade e incerteza em 2026, impulsionado diretamente pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio envolvendo grandes potências e produtores de energia. Essa instabilidade geopolítica gera um efeito cascata que impacta desde o custo da matéria-prima até o preço final da embalagem na gôndola.
A alta do preço do petróleo, que desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, já chega a 40%, afeta os valores do plástico, e consequentemente a indústria de embalagens. O preço do barril de petróleo bruto subiu de 67 dólares para mais de 98 dólares no pico, em 20 de março, enquanto os preços de referência do gás natural na Ásia e na Europa aumentaram mais de 60% no mesmo período.
O Oriente Médio é o epicentro da produção global de petróleo, e qualquer ameaça à estabilidade da região reflete imediatamente nas cotações internacionais. Os preços das resinas plásticas já registraram aumentos de dois dígitos na maioria das categorias de fabricação nos últimos 30 dias, de acordo com a corretora independente que monitora dados de transações do mercado de resinas Plastics Exchange. Mais de 99% dos plásticos globais são derivados de combustíveis fósseis, de acordo com o Centro de Direito Ambiental Internacional.
Alta da Nafta: O plástico (polímeros como PET, PP e PE) é derivado da nafta, um subproduto do refino do petróleo. Quando o preço do barril sobe devido à guerra, o custo de produção das resinas plásticas acompanha a alta quase em tempo real.
Pressão Inflacionária: A alta do petróleo é um dos principais fatores de pressão na inflação brasileira em 2026, encarecendo toda a cadeia petroquímica.
Impacto do câmbio e da incerteza
Em tempos de guerra, o mercado financeiro global busca refúgio no dólar, o que tende a desvalorizar o Real.
Paridade Internacional: Como as resinas plásticas são commodities cotadas em dólar, a desvalorização cambial encarece a matéria-prima para os convertedores brasileiros, mesmo para aqueles que compram de fornecedores nacionais.
Incerteza Econômica: O índice de incerteza no Brasil subiu rapidamente no início de 2026, atingindo picos de 125,4 pontos, o que retrai investimentos e aumenta a cautela na formação de estoques.
Consequências para o mercado de embalagens
A indústria de embalagens, que representa cerca de 2,8% do PIB da indústria de transformação brasileira, sente o impacto de forma direta.
Desaceleração da Produção: Após um crescimento expressivo em 2024, a produção física de embalagens entrou em fase de estabilidade e ligeira queda em 2025 (-0,3%), com previsão de crescimento tímido de apenas 0,2% para 2026 devido ao cenário desafiador, de acordo com estudo macroeconômico realizado pela FGV e divulgado pela ABRE.
Repasse de Preços e Margens: Com os custos salariais ainda pressionados e insumos (como o plástico) em alta, as indústrias de embalagens enfrentam o desafio de repassar custos para as marcas de consumo sem perder volume de vendas.
Mudança no Consumo: A inflação e os juros elevados (SELIC prevista em 12,25%) limitam o consumo de bens duráveis, embora o consumo de não duráveis (alimentos e bebidas) tenda a ser mais resiliente, sustentando parte da demanda por plásticos.
Riscos e Perspectivas
O estudo da ABRE e FGV aponta que 2026 será um ano desafiador. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar, o cenário de custos pode piorar, forçando a indústria a buscar alternativas de eficiência ou novos materiais para manter a competitividade. Por outro lado, eventos como as eleições e a digitalização do varejo continuam sendo vetores que podem mitigar parte desses impactos negativos.
(Fonte: Embalagemmarca, 31 de março de 2026)