Verão 2027: a alimentação pós canetas emagrecedoras
31/08/2026

Observação: não abordamos legislação nem efeitos colaterais. A Syncronia não se posiciona a favor nem contra estes medicamentos.
Estima-se que 6% dos adultos brasileiros usam canetas emagrecedoras, número que deve aumentar com a chegada de novas marcas brasileiras no mercado.
Atualmente a penetração é de 39% em lares das classes A/B, mas já 30% nas classes C/D/E. Ou seja, a difusão para baixo já começou. E deve seguir crescendo com a chegada de produtos mais baratos.
Os dados sobre o uso de canetas emagrecedoras não são iguais, e a diferença não é erro de pesquisa, mas de base:

Dica: para dimensionar mercado endereçável imediato, use os 11% de indivíduos da Bain; é a base que corresponde a compradores ativos. Para dimensionar relevância cultural e conversa em casa, use os 33% do Locomotiva – é a base que explica por que o tema está em todo lugar. Para modelagem de canal e sell-out, use os 5% da NielsenIQ, que é uso atual medido em painel de lares.
Quem desce, quem sobe
A Scanntech calcula que o GLP-1 reduza em 0,49% ao ano o volume de alimentos vendido nos supermercados. O golpe é desigual: Bebidas: -0,91%; perecíveis embalados: -0,66%; mercearia: -0,53%. Por categoria: cerveja -1,03%; snacks -0,82%; chocolate -0,72%; refrigerantes -0,55%.
Alimentos frescos cresceram +11,5%, academia e bem-estar +9,6%, suplementos proteicos +9,1%, água +7,9%, vitaminas e suplementos +7,4%.
A NielsenIQ confirma pelo lado do consumidor: entre lares usuários, 76,9% reduziram ou zeraram chocolates e doces e 73,4% cortaram snacks e biscoitos. Bebidas alcoólicas é a categoria mais despriorizada. Fora de casa, 62,3% cortaram saídas a bares e 54,9%, restaurantes.
Mas 84,4% dos usuários aumentaram proteínas animais e 67,6% compram mais verduras e legumes.
54% dos usuários brasileiros atuais dizem que alimentação saudável virou prioridade, e os índices seguem altos entre ex-usuários (algo similar ocorreu nos EUA).
Sim, o tratamento criou novos hábitos.
Onde está a oportunidade
Sabemos que o consumidor confunde “comer pouco” com “se alimentar menos”. Logo, cada grama precisa entregar mais. As marcas precisam, efetivamente, compreender que densidade nutricional deixou de ser nicho e virou requisito.
A indústria já se move: vemos novos sorvetes proteicos; macarrão instantâneo com 32 g de proteína vegetal; a cerveja high protein será lançada em breve, e a JBS inaugurou centro de biotecnologia em Florianópolis para proteínas funcionais.
Há, ainda, territórios inexplorados que trazem oportunidades de inovação: porções menores com mais valor por grama; novos sabores (o paladar é afetado com o uso destes medicamentos) doces funcionais (a indulgência não morre, mas precisa de proteína e fibra), expansão de não alcoólicos premium.
Palavra final
Com 26,1% dos lares se declarando potenciais usuários, o consumidor de baixo apetite e alta demanda nutricional é o consumidor de 2027. Você o está estudando para seu portfólio de verão?
É o que abordarei na palestra do dia 9 de setembro. Vem comigo?
No dia 09 de setembro a ABRE receberá a Mônica Pucci Simão para uma apresentação sobre Tendências de consumo e inovação no Comitê de Alimentos e Bebidas.
Data: 09 de setembro de 2026
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(Fonte: Syncronia Consultoria de Tendência, 27 de Agosto de 2026)