RFID e inteligência de dados transformam o ramo de alimentos e ajudam empresas a reduzir desperdícios
31/07/2026

O desperdício de alimentos continua sendo um dos principais desafios da cadeia global de abastecimento. Embora o tema seja frequentemente associado a questões ambientais e sociais, cada vez mais empresas percebem que as perdas representam também um problema financeiro relevante. A dificuldade de identificar onde os desperdícios ocorrem, entretanto, ainda limita a adoção de estratégias mais eficazes para combatê-los.
Estudo global realizado pela Avery Dennison, empresa global de ciência de materiais e soluções de identificação digital, aponta que 61% das empresas não possuem visibilidade completa sobre o desperdício de alimentos ao longo de suas cadeias de suprimentos. Ao mesmo tempo, 78% acreditam que investimentos em tecnologia podem gerar economias significativas nos próximos anos.
Na avaliação de Camilo Montes, diretor executivo da Associação Latino-Americana e do Caribe da Indústria de Alimentos e Bebidas (Alaiab), durante entrevista recente sobre perdas e desperdício de alimentos na região, um dos grandes desafios da região é justamente tornar visíveis os custos ocultos relacionados às perdas de alimentos.
“Um fator que costuma ser subestimado é a falta de dados: muitos atores da cadeia não medem suas perdas de forma sistemática, o que torna impossível gerenciá-las. A indústria que lidera a redução de desperdício é, invariavelmente, aquela que primeiro investiu em sistemas de medição”, afirma.
Nesse contexto, soluções de identificação digital vêm ganhando espaço na indústria e no varejo alimentício. A tecnologia RFID (Radio Frequency Identification), por exemplo, permite identificar e rastrear produtos individualmente ao longo de toda a cadeia logística, fornecendo informações em tempo real sobre localização, movimentação, estoque e validade.
Segundo Flavio Marqués, diretor de Marketing, Vendas e Comunicação para a América Latina da Avery Dennison, a digitalização dos produtos permite criar uma camada adicional de inteligência operacional, reduzindo erros manuais, promovendo mais agilidade e rapidez e ampliando a capacidade de monitoramento de alimentos perecíveis e reduzindo custos e
Ao conectar dados físicos e digitais, o RFID oferece maior precisão no controle de estoque, melhora o planejamento de reposição e reduz perdas associadas a vencimentos ou excesso de inventário. Além disso, as informações coletadas podem alimentar sistemas de análise avançada e inteligência artificial, auxiliando empresas a prever demandas, identificar gargalos e tomar decisões mais rápidas.
A tecnologia já vem sendo utilizada por grandes varejistas internacionais. Um dos exemplos é a iniciativa desenvolvida pela Avery Dennison em parceria com a Kroger, nos Estados Unidos, para identificação digital de itens da categoria de panificação. O projeto contribuiu para ampliar a visibilidade dos estoques, melhorar a disponibilidade de produtos nas prateleiras e reduzir desperdícios.
“O desperdício de alimentos não é resultado de um único fator. Ele acontece em diferentes etapas da cadeia e exige uma abordagem integrada. Quanto maior a capacidade de rastrear produtos e compreender o fluxo de informações, maiores são as oportunidades de reduzir perdas e aumentar a eficiência operacional”, afirma Flavio Marqués.
Com o avanço da digitalização, especialistas apontam que a rastreabilidade deverá se tornar um elemento cada vez mais estratégico para empresas que buscam equilibrar rentabilidade, sustentabilidade e segurança alimentar.
“Reduzir perdas é, em termos concretos, melhorar a eficiência operacional. A indústria já entendeu que a redução de desperdício, a produtividade e a sustentabilidade não são objetivos contraditórios, mas sim que caminham na mesma direção”, conclui Camilo Montes.
(Fonte: Portal EmbalagemMarca, 28 de julho de 2026)