Conflito no Oriente Médio eleva riscos para a cadeia de papelão ondulado no Brasil
09/03/2026

Conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode gerar efeitos na cadeia de produção de papelão ondulado no Brasil, principalmente por meio da demanda por embalagens vinculadas às exportações de alimentos para a região. O Oriente Médio é um mercado relevante para a proteína animal brasileira, especialmente o frango, que responde por mais de 30% dos embarques do país.
Segundo Rafael Barisauskas, economista para América Latina na Fastmarkets, a influência do conflito no mercado de papelão está ligada à redução potencial das exportações de alimentos. “São riscos que vemos para o cenário à frente, que podem trazer revisões negativas para o consumo”, afirmou.
O aumento dos custos de transporte marítimo, já percebido na movimentação de outras commodities, também pode impactar o setor. Embora o Brasil utilize rotas alternativas para exportações de celulose e papel, qualquer encarecimento no frete internacional tende a refletir na cadeia de embalagens, uma vez que parte das operações depende da logística marítima.
A escalada das tensões no Oriente Médio também preocupa a indústria química brasileira, fornecedora de insumos para papelão ondulado. A volatilidade internacional dos preços de nafta, base para a produção de eteno e propeno, pode elevar os custos industriais, já que o Brasil é importador líquido desse derivado. Estimativas indicam que uma alta de US$ 20 no barril de petróleo Brent pode reduzir margens petroquímicas entre 10% e 25%, afetando diretamente os insumos utilizados na fabricação de embalagens.
Analistas e empresas do setor acompanham a situação de perto, considerando que impactos mais significativos só se tornariam visíveis caso o conflito se prolongue e afete de forma ampla o comércio de alimentos com a região.
(Fonte: Portal Packaging, 06 de março de 2026)