Rolha de vinho será feita nos EUA com plástico de etanol brasileiro

Rolha de vinho será feita nos EUA com plástico de etanol brasileiroUm plástico feito à base de etanol de cana-de-açúcar, produzido pela brasileira Braskem, será usado pela empresa americana Nomacorc na fabricação de rolhas de vinho. A Nomacorc é líder mundial no segmento.

O material polietileno I’m green™ é chamado de “plástico verde” porque utiliza matéria-prima renovável – cana-de-açúcar –  que contribui para reduzir a emissão dos gases do efeito estufa na atmosfera.

O material também é reciclável e, como tem características do polietileno tradicional, seu uso não exige adaptações de maquinário dos fabricantes.

Rolhas feitas de plástico não são incomuns no mercado e não alteram o sabor do vinho, diz a sommelier Alexandra Corvo. Segundo a especialista, elas costumam ser usadas em vinhos para consumo no dia a dia. Nos vinhos com potencial de envelhecimento, é preciso usar a cortiça porque ela permite a entrada controlada de oxigênio, o que ajuda a melhorar o produto.

Braskem e a Nomacorc, porém, afirmam que as rolhas de “plástico verde” apresentam o mesmo desempenho em controle do oxigênio das rolhas de cortiça.

A sommelier Alexandra Corvo diz que esse é um diferencial importante, caso elas sejam usadas em vinhos que serão envelhecidos. “A entrada de uma quantidade microscópica de oxigênio serve para ‘temperar’ os vinhos com potencial de envelhecimento, que são minoria no mercado”, afirma.

A procura por alternativas à cortiça, segundo ela, tem sido comum porque, atualmente, cerca de 3% dos vinhos vendidos no mundo têm rolhas contaminadas por tricloroanisol (TCA). Essa contaminação é repassada para a bebida, afetando seu odor e sabor.

“A rolha de plástico é interessante porque evita esse tipo de contaminação”, diz Alexandra Corvo.

Braskem não soube informar se haverá a venda, no Brasil, de vinhos com a rolha feita do material. Outras empresas já usam o material em embalagens, como Electrolux (fabricante de eletrodomésticos), L’Occitane (cosméticos) e Embalixo (sacos de lixo).

(Fonte: UOL Economia, 03 de fevereiro de 2014)