Reciclagem de latas de alumínio: meta da Novelis é aproveitar até 80% do metal em 2020

Reciclagem de latas de alumínio: meta da Novelis é aproveitar até 80% do metal em 2020O Brasil exibe números recordes na reciclagem de alumínio, especialmente quando o assunto é latinha. Líder mundial na atividade, o país vem ganhando novos investimentos em aumento de capacidade e tecnologia. Um dos maiores exemplos de expansão no setor é a Novelis, que está investindo US$ 35 milhões para duplicar sua capacidade de reciclagem atual de 200 mil toneladas anuais no interior de São Paulo.

De acordo com o diretor de negócios de reciclagem da empresa, Carlos Roberto de Morais, a ampliação será concluída em abril de 2014, quando essa segunda linha de reciclagem vai processar cerca de 86 mil toneladas. No segundo ano atingirá seu pico, levando o total da empresa para 400 mil toneladas por ano.

Dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) mostram que o Brasil reciclou 511 mil toneladas de alumínio em 2011. Só de latinhas de bebidas foram recicladas 248,7 mil toneladas de sucata no ano ou 18,4 bilhões de unidades, o que dá 50,4 milhões por dia. De todo o alumínio disponível para a fabricação de produtos no Brasil, mais de 35% vêm da reciclagem.

Morais, da Novelis, diz que o objetivo da duplicação de capacidade é reduzir a dependência do alumínio primário que a empresa utiliza para fazer seus produtos. O percentual de conteúdo reciclado da empresa hoje, no Brasil, é de mais de 50%. A meta, segundo o executivo, é chegar em 2020 usando 80% de material reciclado e apenas 20% de alumínio primário.

O Brasil recicla praticamente todas as latinhas de bebidas feitas de alumínio, com o índice de 98,3% – a Novelis vai precisar ir atrás de mais sucata para atingir seu objetivo para 2020. A empresa tem seis centros de coleta e planeja criar mais nos próximos cinco anos.

Os atuais centros, que recebem latas de cooperativas de catadores, de catadores individuais ou sucateiros, compram até 50 toneladas por mês. Existem outros canais de negociação para volumes maiores, conta Morais. Os centros estão localizados em Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e São Paulo. Os próximos podem ficar em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Nordeste e Norte, geralmente em cidades com mais de 250 mil habitantes.

Mas só as latinhas não serão suficientes para as necessidades da Novelis. Morais revela que a empresa já começou a negociar outros tipos de sucata de alumínio, incluindo importações. Segundo ele, a empresa é a maior importadora deste tipo de material do país. Para equilibrar oferta e demanda, são importadas cerca de 40 mil toneladas de sucata por ano e mais de 70% disso são comprados pela Novelis – basicamente latinhas, diz Morais. Os importados vêm de países como Bolívia, Paraguai, Albânia, Indonésia e Alemanha.

Morais vem notando nos últimos dois anos uma tendência de mercado: clientes que pedem certificado de conteúdo reciclado nos produtos como forma de participar e mostrar sua contribuição para a sustentabilidade. Isso porque ao se usar material reciclado e evitar a produção do alumínio primário, uma atividade eletrointensiva, há uma grande economia de energia.

Outra empresa do setor de reciclagem de latinhas, a Latasa Reciclagem, opera atualmente com 100% de sua capacidade produtiva. Processa cerca de 100 mil toneladas de sucata de alumínio por ano. Segundo seu diretor, Mario Fernandez, a empresa vem “investindo fortemente nos últimos dois anos para aumentar a capacidade e produtividade”.

Ele conta que em 2012 e até o início de 2013 foi feito um grande aporte na unidade de Pindamonhangaba (SP) para elevar a capacidade de produção em 15%. Fernandez não revelou os valores envolvidos na expansão. “O mercado de latas de alumínio vem crescendo nos últimos anos a dois dígitos e há uma perspectiva que este número permaneça neste patamar”, observa.

O executivo vê bons ventos para os negócios. “Nos próximos anos, teremos eventos esportivos importantes no país, como Olimpíada e Copa do Mundo, o que aumenta significativamente o consumo de latas de alumínio e consequentemente a reciclagem”, aposta. A Latasa Reciclagem vende toda sua produção no mercado nacional. Fernandez aposta em um aumento na demanda por alumínio, sem que a oferta consiga atendê-la. “Isto gerará uma pressão no mercado de alumínio primário, beneficiando o mercado secundário, a reciclagem”, observa.

A Latasa Reciclagem obtém sucata por meio de centros de coleta espalhados pelo país. De acordo com Fernandez, a oferta deste material tem crescido no mesmo ritmo da produção de latas de alumínio, ou seja a uma taxa de dois dígitos. “A perspectiva é crescer mais nos próximos anos”, diz. Mas enxerga desafios para o setor, como a regularização do mercado de lata de alumínio no país. “Ainda temos informalidade. Falta gestão profissional na coleta de sucata. A indústria deverá descer cada vez mais na cadeia de coleta do material reciclável, formalizando o negócio”, defende Fernandez.

(Fonte: Portal SIMEES /Valor, 23 de abril de 2013)