Paletes de madeira: uso cresce, mas a demanda poderia ser ainda maior

Paletes de madeira: uso cresce, mas a demanda poderia ser ainda maiorDe, aproximadamente, quinze anos para cá, a procura por paletes de madeira, relacionada não somente à armazenagem, mas, também, ao transporte, cresceu abruptamente. Esse crescimento é devido ao aumento do uso de produtos embalados pelo setor alimentício e ao crescimento da produção automobilística e da indústria de papel e celulose.

Outro ponto importante foi a abertura cambial, que favoreceu as exportações e importações de commodities. Como hoje o mercado está aberto, a visão futura só é crescente em busca da paletização. Porém, é um setor que não está isolado de riscos e crises.

Com esta avaliação, Larissa Alexandra Pavelski, gerente de relacionamento com o cliente, e Paulo Alexandre Pavelski, diretor geral, ambos da Kimadeiras, iniciam esta matéria especial de Logweb, sobre paletes de madeira, analisando o segmento hoje no Brasil.

“O mercado florestal e madeireiro é o principal fornecedor de matéria-prima na produção dos paletes, e podem ocorrer grandes oscilações, que são influenciadas diretamente pela construção civil, pelas normas regulamentadoras dos órgãos fiscalizadores e pelo aumento de mão de obra, entre outros. Fatores que são responsáveis pelas maiores alterações dos preços no repasse de reajuste ao cliente. Afinal, o cliente hoje não busca somente preço baixo, mas preço baixo e qualidade. Mesmo com todos os abalos, o que faz realmente a procura por paletes de madeiras ser cada vez mais crescente são os fatores econômicos, ecológicos e de durabilidade”, continuam explicando os representantes da Kimadeiras. Eles também apontam, como características do segmento de paletes de madeira hoje: os investimentos na automatização da linha de produção são contínuos, sempre visando à maior quantidade X menor tempo; com as inúmeras certificações exigidas para os tratamentos realizados nas madeiras, o medo de compra de paletes e disseminação de pragas está controlado; e a procura por paletes usados hoje em dia é enorme, e mais ainda pelo padrão PBR.

A análise de Luis Eduardo Pissinatti, diretor geral da CIAP Indústria e Comércio de Embalagens de Madeira, também vai pelo mesmo caminho. Segundo ele, de maneira geral, o setor de paletes de madeira continua e continuará em alta por mais alguns longos anos, “pois a possibilidade de seu custo-benefício ser superada por seus concorrentes diretos e indiretos é praticamente nula”. E ele continua: “novos segmentos de mercado começam a aderir o uso do palete de madeira, aumentando a produção e a competitividade. Outro fator importante é o aumento das áreas de fazendas de reflorestamento de eucalipto e pinus. Novos estudos, pesquisas, novas técnicas econômicas e estratégias para o reflorestamento e manejo florestal sustentável surgem a cada dia”.

Jairo Ribeiro Filho, diretor da Ripack Embalagens também destaca que os paletes de madeira se firmaram como uma grande ferramenta logística, que movimenta uma infinidade de produtos, apresentando um expressivo ganho de produtividade. Atualmente, segundo ele, a movimentação de carga paletizada e, na sua grande maioria, em paletes de madeira, representa um avanço importante nos sistemas de movimentação de cargas, proporcionando maior agilidade e segurança a movimentações.

Por sua vez, a análise do segmento de paletes de madeira hoje no Brasil feita por Marcelo Canozo, diretor comercial da Fort Paletes, passa pelo aspecto econômico. Ele destaca que estamos passando por um momento econômico delicado no Brasil, cujo reflexo é evidente pela queda de vendas no mercado de paletes no primeiro trimestre de 2013. “O volume de vendas caiu muito com relação ao mesmo período de 2012, creio que isso é reflexo de um momento econômico ‘duvidoso’ por parte do consumidor final. Tivemos algumas altas significantes no frete (aumento do diesel) e em nossa matéria-prima (madeira) e, infelizmente, o mercado não esta assimilando esses reajustes, fato que é preocupante para toda a cadeia”, diz ele.

José Ricardo Bráulio, da José Bráulio Paletes/GEE Gestão Eficiente de Paletes, também destaca: “como toda a economia do Brasil, tivemos um grande incremento de vendas nos três últimos anos, que agora começa a se aprumar. Com a volta da inflação e do juro alto, aliados a possíveis crises externas, esse é um ano de tensão”.

Ele informa, ainda, que, atualmente, o mercado de paletes está dividido entre empresas que compram paletes e que alugam, ou fazem gestão do seu parque de paletes. “Atuamos nos dois segmentos, e constatamos que ambos cresceram e se firmam a cada dia, já que o palete, sendo tão simples, é um elo fundamental na logística de qualquer empresa. Quer faça movimentação, armazenagem e expedição de seus produtos, o mercado até poderia crescer mais, mas, melhor crescer consistente que em ciclos muito distantes.”

José Ricardo também diz que a tecnologia está evoluindo rapidamente, com mais fabricantes investindo em máquinas automatizadas e automáticas, o que melhora a qualidade dos paletes, aliado às constantes e radicais melhorias genéticas e de silvicultura, e o Brasil, com certeza, se destacará cada vez mais no cenário mundial de produtos florestais.

“Entendemos que para o processo de paletização estar consolidado no sistema logístico brasileiro, há muitas evoluções e tendências ainda por virem. Destacamos a necessidade da padronização, que deve ganhar corpo e forma, com um compromisso mais intenso de toda a cadeia consumidora, pois isso trará a necessária redução de custo, sem afogar os fabricantes de paletes que vivem no dilema qualidade x preço. Com o processo de automação da produção em curso, a padronização passa a ser uma necessidade imediata, visando ganhos de escala e, em alguns casos, a intercambialidade de paletes em alguns segmentos”, revela Ribeiro Filho, da Ripack.

“Para o futuro, acreditamos no aumento no setor, uma vez que a automatização em logística é constante, desde que sejamos responsáveis com o meio ambiente, usando madeira 100% reflorestada e com tratamento para durabilidade, inclusive, fabricação por empregadores que obedeçam no mínimo à Legislação Trabalhista e Ambiental”, aponta João Batista Reis, diretor da Arpecma Artefatos e Peças de Madeira.

Já Pissinatti, da CIAP, destaca que a logística reversa dos paletes é uma necessidade gritante: “acreditamos que o setor irá se estruturar para este segmento, podemos constatar no dia a dia a conscientização dos usuários em reduzir seus gastos com ativos, muitas empresas estão reavaliando a possibilidade de troca dos paletes one-way por palete de linha”.

Outro fator relevante – ainda segundo o diretor geral da CIAP – é a grande procura pela gestão de palete, mesma opinião de José Ricardo, da José Bráulio Paletes/GEE Gestão Eficiente de Paletes, para quem esta é “uma forma muito inteligente e justa, onde você paga somente pelo prazo que utilizar o paletes, reduzindo custos, fretes e perdas e mantendo sempre uma qualidade aprovada em seu parque de paletes. Trata-se de uma excelente opção para todos os ramos da indústria”.

(Fonte: Portal Logewb, 11 de maio de 2013)