Oportunidades e tendências no mercado de café

Oportunidades e tendências no mercado de caféO tradicional Café da Manhã ABRE, realizado em São Paulo no último dia 22, trouxe a palestra “Oportunidades e tendências no mercado de café: a experiência da D. E Master Blenders 1753” apresentada por Ricardo Souza, diretor de marketing da companhia. O evento realizado pela ABRE contou com o patrocínio ouro da Dixie Toga e Bronze da For-Plas e o apoio da Nielsen e GS1 Brasil.

Para iniciar o evento, Marden Silva Soares, executivo de contas da Nielsen trouxe dados do mercado de café no Brasil e o comportamento do consumidor nesta categoria. Soares explicou que com o aumento de renda, baixo desemprego e melhores condições sociais nos últimos dez anos, o brasileiro aumentou o consumo de vários serviços e bens, como alimentação fora do lar que apresentou um crescimento de 44% entre 2009 e 2012, o gasto com veículo próprio com 47% e viagens com 12% de incremento no mesmo período.

Em relação ao mercado de café, Soares explicou que preços mais altos refletem diretamente nas vendas, demonstrando que por causa da variação de valores entre os anos de 2011 e 2012, houve retração de -1,3% no total de quilos consumidos – de 349.477 milhões de quilos em 2011 para 344.819 milhões em 2012. Em faturamento ocorreu um aumento de 15,2% no valor no mesmo período, já que com a movimentação dos preços todos os segmentos ampliaram o valor de suas vendas, com destaque para as cápsulas com 73% de aumento no faturamento, seguido pelo café torrado e moído com 16,7%.

Segundo Soares “a cultura do brasileiro ainda é forte pelo  café torrado e moído, mas visto o que ocorre em outras categorias, ainda há muito espaço para solúveis e mixes, com apelos de praticidade e diferenciação, além das cápsulas que apresentam um consumo ainda bastante embrionário no país.”

Ao abrir a palestra “Oportunidades no Mercado de Café” Ricardo Souza traçou um breve perfil da companhia. A D.E Master Blenders 1753 é uma companhia holandesa e a maior empresa ‘pure-play’ de cafés e chás do mundo, com presença na Europa, Brasil, Austrália e Tailândia e faturamento de € 2,7 bilhões. O primeiro produto da empresa é o café Douwe Egberts lançado em 1753 na Holanda e que atualmente é a marca líder neste mercado.

Desde 1998 a empresa está em nosso país, sendo líder no segmento com um portfólio de marcas fortes como Pilão, Café do Ponto e Caboclo. A D.E. Master Blenders 1753 vê o Brasil como um vetor de crescimento e um futuro promissor para os negócios, já que com os avanços socioeconômicos alcançados na última década – que resultaram no crescimento de vendas da maioria das categorias de bens de consumo – o mercado de café também se beneficia desta situação.

Para a empresa as tendências para o futuro são: o otimismo dos consumidores com o poder de compra, a busca de marcas premium, a procura de mais conveniência, o aumento do consumo de porções individuais e uma maior abertura para inovação e experimentação.

Souza explicou que a penetração do café dentro de casa – que já era alta – cresceu de 95% em 2003 para 97% em 2009, e o consumo per capita passou de 3,7 Kg/ano em 2003 para 4,81 Kg/ano em 2009 – um crescimento de 30%. O consumo de café fora de casa também aumentou passando de 17% em 2003 para 46% em 2009.

O mercado de café no Brasil movimenta R$ 9,6 bilhões, onde 75% são vendidos no varejo e 25% em pontos fora de casa (cafeterias, lanchonetes, padarias, etc.). O café torrado e moído predomina no consumo representando 86% do total vendido no país, seguido por instantâneos com 11%, monodose com 2% e grãos com 1%.

O café é uma bebida consumida geralmente dentro de casa, com um consumo de 3,7 xícaras/dia per capita, onde 98% são consumidos no café da manhã e 45% entre o almoço e jantar. O brasileiro gosta, normalmente, do café puro, forte e com açúcar e seus atributos mais valorizados são aroma e sabor. A preparação do café ainda é bem manual, correspondendo a 84%, sendo que 55% são feitos em filtro de papel e 29% em filtro de pano.  O café é considerado pela maioria como uma bebida insubstituível.

A compra do café é de rotina, já incluído na lista do mês, onde os consumidores geralmente têm de duas a três marcas preferidas e 85% decidem a marca no ponto de venda. A embalagem mais encontrada ainda é a almofada.

As inovações no segmento até o ano 2000 ocorreram muito lentamente, sendo as mais importantes o filtro de papel lançado em 1960, as cafeterias (1970) e a embalagem à vácuo (1980).  Nos últimos dez anos, as inovações cresceram com os cafés especiais (marcas premium),  cafeterias e pelos sistemas monodoses – com lançamentos de máquinas e diversos tipos de cafés e embalagens .

As estratégias da empresa para o país estão focadas em premiumização e expansão geográfica de vendas, que começou com a inovação e modernização das embalagens da marca Pilão e lançamento de novos sabores, que além do Tradicional conta com as versões Intenso e Sabor &Leveza. Além disso, a companhia também quer educar o consumidor para que valorize as diferenças de sabor e aromas que a bebida pode oferecer e também melhorar a qualidade do café consumido nacionalmente, com o lançamento de marcas premium e diferentes sabores, tais como: Suave & Equilibrado, Forte & Encorpado, Aromático & Refinado, Redondo & Marcante e Intenso & Saboroso. Para ajudar o consumidor a reconhecer facilmente cada tipo de sabor a empresa desenvolveu uma simbologia própria na embalagem para identificar os diferentes sabores dos cafés.

Para finalizar, Souza explicou que as oportunidades no mercado de café estão na educação dos consumidores, na presença fora do lar com marcas conhecidas em cafeterias, na monodose oferendo conveniência e variedades e na expansão geográfica.

(Fonte: Centro de Informações ABRE, 24 de maio de 2013)