Mercados de saudabilidade e bem-estar crescem também no Brasil

Seguindo a tendência internacional, os mercados de saudabilidade e bem-estar crescem no país. Empresas lançam novos produtos mais saudáveis e até uma nova categoria foi criada nos últimos anos, a dos aliméticos, que são os alimentos com propriedades cosméticas. Entre 2008 e 2013, a média de crescimento de lançamentos e de remodelagem de embalagens foi de 50% para itens voltados a diabéticos, alérgicos, veganos ou vegetarianos de acordo com estudo encomendado pelo Mundo do Marketing ao Instituto Mintel.

A busca das pessoas por mais equilíbrio abre oportunidades no setor como a criação de e-commerces voltados para quem procura qualidade de vida. Em agosto de 2013, pela primeira vez, o índice de sobrepeso no Brasil atingiu mais da metade da população, alcançando 51% segundo levantamento da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) baseado no estudo do ano passado. Em 2006, primeiro ano da pesquisa, o índice era de 43%.

Apesar do resultado, cerca de 70% dos consumidores leem sempre os rótulos das embalagens, sendo que 52% deles procuram informações sobre calorias, 39% sobre gordura, 29% sobre colesterol e 27% sobre açúcar. Para 40% dos brasileiros, a televisão é a principal fonte de informação sobre a importância dos alimentos. Em segundo lugar, aparecem praticamente empatados os médicos e os nutricionistas com 20% e 19%. Os números são do projeto Brasil Food Trends 2020, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Das quatro tendências de alimentação encontradas no Brasil, três são similares às globais: as pessoas não têm tempo para cozinhar em casa, com 34%; a marca é o mais importante na escolha do alimento, com 23%; e a opção pelo mais gostoso quando comparado ao mais saudável, também com 22%.  A quarta tendência nacional, com 21%, é uma fusão entre a decisão de comprar um produto saudável mesmo que ele seja mais caro e a preferência por itens fabricados por empresas que protegem o meio ambiente ou desenvolvem ações sociais. Os dados são do Brasil Food Trends 2020.

A conexão entre bem-estar e a sustentabilidade foi observada pelo site de autoconhecimento Personare, agora reposicionado como Grupo Personare. O Grupo investiu R$ 600 mil na startup Shopping Holis, o primeiro shopping online de bem viver do país, tornando-se um agregador de produtos, serviços e profissionais com foco em bem-estar, autoconhecimento e qualidade de vida.

A ideia surgiu a partir de pesquisas que mostraram a existência de varejistas no setor de saúde e bem-estar que não conseguiam vender seus produtos online, porque, muitas vezes, o consumidor não tinha confiança nos sites. “O público queria comprar, mas não sabia onde e não tinha confiança. Do lado dos varejistas, alguns ficaram empolgados com a oportunidade de falar com a nossa base de dados, mas outros ficaram com medo e aí entrou a nossa parte educacional”, comenta a Carolina Senna, diretora do Grupo Personare. Lançado em julho de 2013, o próximo passo do Holis será investir em varejistas que não têm nenhuma presença na web. “Não queremos ser só intermediários, queremos atuar também na organização do setor”, antecipa Senna.

Além de saúde, os brasileiros também demonstram interesse por alimentos com propriedades cosméticas, os chamados aliméticos, que são uma nova categoria de produto criada pela marca Beauty’In em 2010. Inspirada nos shots de colágeno japoneses, a empresária Cristiana Arcangeli apostou em balas, barras de cereais, chocolates e bebidas com colágeno e vitaminas que pudessem ser facilmente incorporados no dia a dia dos brasileiros e que não fossem caros.

A nova funcionalidade foi rapidamente compreendida pelos consumidores. “Isso foi uma surpresa para mim, acho que o conceito já devia estar no inconsciente coletivo dos brasileiros. Começamos em 2010 com oito produtos, passamos para 12, depois para 35 e, no final do ano, chegaremos a 135 itens”, diz a CEO da Beauty’In, Cristiana Arcangeli.

Veja abaixo o gráfico com base no levantamento da Mintel, que monitorou alimentos para bebês, pães, cereais para café da manhã, laticínios, sobremesas e sorvetes, balas e chicletes, molhos de mesa e temperos, chocolates e sopas em cinco categorias: funcional; menos; natural; plus; e indicados para.

Mercados de saudabilidade e bem-estar crescem também no Brasil(Fonte: Mundo do Marketing, 01 de outubro de 2013)