Mercado de biscoitos avança 5% em volume

Mercado de biscoitos avança 5% em volumeA indústria de biscoitos registrou crescimento superior ao do consumo geral das famílias no primeiro trimestre deste ano. Alexandre Colombo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Biscoitos (ANIB), afirma que o setor teve expansão em torno de 5,5% em volume e 10% em valor de janeiro a março, em relação ao mesmo período do ano passado, e a expectativa é manter o ritmo ao longo do ano.

Segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE, o consumo das famílias avançou 2,1% no trimestre na comparação anual. Ante os três últimos meses de 2012, ficou estagnado, com variação de só 0,1%.

De acordo com Colombo, janeiro e fevereiro foram meses “bem aquecidos, melhores que nos anos anteriores”, mas em março a venda de biscoitos desacelerou. “Acho que pessoal ficou um pouco assustado com o assunto inflação, que estava na mídia”, afirmou. Em abril e maio, as vendas voltaram ao patamar de crescimento de 5% sobre 2012.

Desde o ano passado, a receita do setor de biscoitos cresce bem acima dos volumes vendidos. As fabricantes repassaram ao preço final aumentos nos custos de matérias-primas. Diversidades climáticas tiveram impacto significativo sobre a indústria de alimentos no mundo: a seca prolongada no Meio-Oeste dos Estados Unidos fez dispararem os preços dos grãos, principalmente soja, trigo e milho, acentuando um movimento de alta iniciado por quebras de safra no Brasil e na Argentina.

“Ajustamos preços, as commodities ficaram mais caras. Todo o mundo teve que repassar aumentos”, afirma Colombo. Segundo ele, a indústria consegue absorver altas de até 15% nos custos das matérias-primas, mas no ano passado as cotações de alguns insumos chegaram a subir quase 50%.

Os fabricantes também aproveitaram os repasses de preço ao consumidor para recuperar margens operacionais. De acordo com Colombo, 2011 foi um ano mais difícil, com vendas praticamente estáveis, de 1% em volume e em valor.

Mas o aumento da massa salarial permitiu ao consumidor absorver os repasses. “Os alimentos, principalmente o biscoito, têm passado um momento interessante devido ao aumento da renda da classe C. O Nordeste é responsável por boa parte desse crescimento, o brasileiro está comendo mais e tem migrado para produtos com mais qualidade e maior valor agregado”, explica Colombo.

Ele acrescenta que os volumes estão crescendo puxados pela expansão das lojas de “atacarejo” – atacado que vende também para o consumidor e que tem sido a principal aposta de grandes redes como Carrefour (com Atacadão) e Pão de Açúcar (com Assaí).

A indústria de biscoitos também está trabalhando com margens maiores desde janeiro deste ano, quando os fabricantes obtiveram desoneração na folha de pagamentos. Colombo afirma que a indústria planeja aumentar os investimentos e contratar mais mão de obra, mas a ANIB não tem nenhum levantamento sobre as medidas tomadas pelas empresas desde a redução tributária.

Em 2012, a indústria de biscoitos cresceu em torno de 3,5% em valor e 8% em receita, enquanto o PIB do Brasil avançou 0,9%.

(Fonte: Point News ANIB, 31 de maio de 2013)