Indústria de leite longa vida prevê crescimento de 4%

Indústria de leite longa vida prevê crescimento de 4%É o que aponta a ABLV (Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida). De acordo com Cláudio Teixeira, que acaba de assumir a presidência da ABLV, para este ano, a previsão é de um crescimento de 3% a 4% na produção e venda de longa vida.

Historicamente volátil, o mercado de leite longa vida iniciou este ano com estoques baixos, o que tem gerado uma disputa pela matéria-prima, de acordo com a ABLV. O crescimento tímido da oferta de matéria-prima no país inibe um maior avanço da produção de leite longa vida. “A produção de leite no Brasil cresce pouco. Por isso, a disputa por matéria-prima deve continuar”, estimou o dirigente da ABLV.

A concorrência pela matéria-prima é ainda reflexo da alta dos custos de produção do setor leiteiro no ano passado. De acordo com a entidade, os custos elevados forçaram uma redução dos estoques de leite longa vida, que atingiram um nível crítico em setembro de 2012 – 100 milhões de litros, o equivalente a sete dias de produção. Para efeito de comparação, os estoques no mesmo mês de 2011 somavam 300 milhões de litros, ou 17 dias de produção.

Teixeira afirmou que, no ano passado, a indústria trabalhou com margens “estreitas ou inexistentes”. Além dos custos mais elevados da matéria-prima, a pulverização do setor, que tem mais de 80 marcas, também contribuiu para o achatamento de margens de um segmento com rentabilidade já historicamente baixa.

O período de maior dificuldade foi em meados do segundo semestre. Segundo Teixeira, naquele momento a indústria de longa vida pagava, em média, 5 centavos de real a mais por litro de leite adquirido do produtor do que um ano antes. Outros custos (incluindo logística e mão de obra) estavam 10 centavos acima de igual período de 2011. Em contrapartida, o preço médio do longa vida nas vendas da indústria para o varejo estava 6 centavos de real abaixo do verificado um ano antes.

Ainda que o cenário tenha sido adverso – levando empresas a dificuldades –, a produção de leite longa vida em 2012 cresceu 5,3%, para 6,125 bilhões de litros em relação ao ano anterior, conforme a ABLV. A evolução decorreu do crescimento vegetativo da população, mas também do fato de que o leite UHT vem ganhando espaço no mercado na comparação com o produto pasteurizado e com o leite informal. No primeiro caso, as vendas recuaram 12%, para 1,3 bilhão de litros em 2012. Já as de produto informal caíram 14,6%, para 1,520 bilhão de litros no ano passado, segundo a associação.

Com esse avanço, a participação do leite longa vida nas vendas dos chamados leites fluidos no Brasil atingiu 81% em 2012. Trata-se de uma elevação de três pontos percentuais em relação a 2011. Além disso, observou Teixeira, o longa vida esteve presente em 88% dos domicílios brasileiros no último ano.

(Fonte: Supermercado Moderno, 08 de abril de 2013)