Gás total para recuperar a liderança

Gás total para recuperar a liderançaEm entrevista concedida em 2009 à ABEAÇO Notícias, o presidente da ABAS (Associação Brasileira de Aerossóis e Saneantes Domissanitários), Hugo Agustin Chaluleu, fez uma previsão que poderia parecer otimista: o mercado de aerossóis deveria atingir nos próximos anos 600 milhões ou 700 milhões de unidades vendidas. Os números superaram a previsão de Chaluleu. Em 2011, o setor alcançou cerca de 800 milhões de unidades, o maior resultado da história. Com investimentos da indústria brasileira em tecnologia e maquinário, o país é referência no segmento de aerossóis e possui reconhecimento mundial. Segundo Reinaldo dos Santos, coordenador de Negócios da Prada Embalagens, a expectativa para 2012 é comercializar 900 milhões de tubos. “O Brasil consumiu no ano passado 4,1 tubos per capita, com projeção de 4,6 tubos per capita para 2012. A expectativa é atingir a marca de 1,36 bilhão de tubos em 2020 (6,6 tubos per capita)”, conta o executivo.

Destaque para aerossóis utilizados em higiene pessoal, inseticidas, ambientadores e purificadores, industriais, medicinais, veterinários e tintas. A concorrência com os importados, alguns anos atrás, principalmente com a Argentina, pois mais de 50% é proveniente do país vizinho, não intimidou a retomada do crescimento.

Segundo dados da ABAS, em 1998, enquanto a produção local era de 123 milhões de unidades, a importação chegava a 49 milhões. Em 2006, as produções se igualaram: 169 milhões para ambos, e em 2010, avanço do inimigo: foram 326 milhões de fabricação local contra 375 milhões de produtos importados. Atualmente, 49% estão relacionados à produção interna e 51%, à importada, ou seja, foram fabricados 397 milhões de unidades no território brasileiro e 405 milhões de unidades vieram de fora. Praticamente um empate técnico.

A arma adotada pelo país vizinho para abocanhar o mercado brasileiro foi a redução do preço do gás propelente, importante componente dos aerossóis. O valor comercializado e taxado foi muito abaixo do preço adotado internacionalmente.

O quadro começou a mudar com o lançamento de propelentes de alta qualidade, que seguiram rígidas exigências mundiais da categoria de aerossóis. A Liquigás, controlada pela Petrobras, lançou o Purogas, um propelente livre de impureza, odor e umidade característicos dos gases liquefeitos de petróleo (GLP). Pouco depois, a Ultragaz apresentou ao mercado o Demexx (DME), derivado do gás natural com maior índice de pureza, solúvel em água e com redução da emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs) e com preço competitivo. “Hoje, podemos dizer que temos finalmente infraestrutura para atender a demanda de aerossol no país”, afirma Chaluleu.

Segundo a ABAS, duas qualidades das embalagens de aço para aerossóis devem ser destacadas: maior vida de prateleira devido a ausência de oxigênio dentro da embalagem e dosagem regulada, tanto na abertura do jato (spray pattern) quanto no volume por segundo (spray rate).

A Suvinil, marca de tintas imobiliárias da BASF, utiliza o aerossol no Suvinil Spray Multiuso. “A marca está presente no mercado de tintas no segmento de spray desde 2009, tendo conquistado rapidamente seus clientes. E foi pensando neles que a Suvinil simplificou e criou uma linha multiuso que pode ser aplicada em diversas superfícies”, conta Mário Lavacca, gerente de produto da marca.

Para Vicente Lozargo Filho, diretor-presidente da Cerviflan, fabricante nacional de embalagens metálicas, a lata de aço confere ainda propriedades de armazenamento e transporte exclusivas, como proteção à luz, resistência a quedas, além da impressão mais refinada. A Cerviflan contribui muito para o desenvolvimento do setor no país. Além de ter o parque fabril mais moderno da América Latina, a companhia trouxe para o Brasil as latas de 45 mm e 53 mm de diâmetro, com aplicação de uma película de PET ao fundo.

“A Cerviflan foi pioneira na América Latina na fabricação de tubos para aerossóis de aço com PET. A novidade foi pensada especialmente para a indústria de cosméticos. Com o PET, a embalagem pode ficar na pia, sem o risco de ferrugem”, explica Lozargo Filho. “A Cerviflan saiu na frente também com a fabricação da embalagem de 300 mm, usada pelo segmento químico. A empresa desenvolveu o domo ou cúpula menor, promovendo ergonomia à embalagem para aerossóis”.

Há mais de dez anos que o CFC (clorofluorcarbono), principal substância destruidora da camada de ozônio, deixou de ser utilizado na produção de latas de aerossol. Primeiramente, esse gás foi substituído por um gás ecológico, o butano propano sem cheiro. Logo em seguida, novos gases muito mais limpos foram desenvolvidos, como o Demexx (DME), sendo excelentes alternativas para as latas de aerossol.

O Brasil foi o terceiro país do mundo a substituir o CFC por propelentes naturais, logo depois dos Estados Unidos e do Canadá. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a produzir o DME, propelente ecológico, largamente utilizado na Califórnia, Japão, China, entre outros, visando preservar o meio ambiente na redução de emissão de compostos orgânicos voláteis.

Gás total para recuperar a liderança

(Fonte: ABEAÇO Notícias,n.36,  out./nov./dez. 2012)