Filmes: setor se esforça para assegurar o desenvolvimento de embalagens com propriedades diferenciadas

Filmes: setor se esforça para assegurar o desenvolvimento de embalagens com propriedades diferenciadasOs filmes coextrudados estão cada vez mais presentes na indústria nacional. Há muito tempo, o avanço deste segmento vem derrapando; ora é o investimento, considerado alto demais, ora é a instabilidade econômica, que acabava engavetando os projetos. Mas toda a cadeia produtiva se mobilizou para traçar um novo enredo. Os fabricantes de máquinas – nacionais e estrangeiros – incorporaram novas tecnologias aos seus desenvolvimentos; as resinas foram aprimoradas e os transformadores abriram o leque de aplicações dos filmes plásticos.

O mercado, de forma geral, rendeu-se à necessidade de ofertar maior eficiência e ampla combinação de materiais em estruturas multicamadas, assegurando, assim, embalagens com propriedades diferenciadas. Por isso, a produção de filmes monocamadas vem, ao longo dos anos, perdendo força perante a crescente demanda por mais desempenho e competitividade. Segundo Angels Domenech, da área de alimentos e embalagens de especialidades da Dow para a América Latina, grandes convertedores já possuem em seu parque industrial coextrusoras de até nove camadas, e operam com processos refinados como o estiramento de filmes.

Na opinião de José Boaventura, gerente de marketing da divisão de polímeros para embalagem e produtos de consumo da DuPont Brasil, o fato é que o mercado vem exigindo o desenvolvimento de embalagens com maior desempenho na proteção e na promoção dos produtos. “A conveniência, a abertura fácil e a maior segurança alimentar deverão impulsionar os negócios de polímeros especiais da DuPont por um longo período de tempo”, prevê.

O setor está em evolução. Mas, se comparada com os mercados dos países mais desenvolvidos, a participação dos filmes coextrudados nas embalagens plásticas flexíveis brasileiras é baixa. Em economias desenvolvidas, são escassas as vendas de filmes monocamadas, o contrário da realidade nacional. Estima-se que 35% da produção brasileira adote a tecnologia da coextrusão, enquanto na Europa a média é de no mínimo 80%.

O Brasil, à sua maneira, galga seu lugar no mercado mundial. A sofisticação das estruturas coex no país serviu de berço para a Dow desenvolver o filme Diamanto. Esta tecnologia recente combina novos materiais e condições específicas de extrusão, o que garante filmes de PE com alta rigidez e transparência elevada. De acordo com Domenech, o aumento dos investimentos em filmes multicamadas deve-se, em parte, ao fato de que para certas aplicações do setor de embalagem não é mais possível atuar com estruturas monocamadas, como no empacotamento automático.

Coincidência ou não, a Dow vislumbra o aquecimento da demanda das resinas metalocênicas das famílias Elite e Affinity, para laminados de alto desempenho. Isso porque a empresa tem observado a migração de estruturas monocamadas para as de três camadas com resinas metalocênicas. A combinação de novos materiais, como o PET em filmes multicamadas, também é uma tendência identificada pela empresa.

Outra amostra de inovação vem da DuPont. A empresa está envolvida no desenvolvimento de uma embalagem termoencolhível com alta barreira. Produzida pela Deltaplam, a embalagem é coextrudada em nove camadas (entre elas, as resinas Surlyn e Bynel), e comercializada na forma de sacos ou bobinas de filme. “Trata-se de uma grande inovação no segmento de filmes plásticos para embalagens de carnes frescas ou processadas e de queijos”, destaca Boaventura. A proposta do produto é criar barreira eficiente contra a penetração de oxigênio, aumentando a vida útil da peça embalada. Além disso, torna possível melhorar a aparência da embalagem, com mais brilho e transparência.

As benesses oferecidas pela tecnologia multicamada não se restringem aos novos desenvolvimentos. Por definição, ela já garante vantagens, pois otimiza a estrutura e as necessidades superficiais do filme, ao mesmo tempo em que possibilita a redução dos custos com matérias-primas e permite uma gama mais ampla de aplicações dos filmes plásticos.

As estruturas multicamadas permitem o uso racional de resinas de alto desempenho e favorecem o desenho de filmes para embalagem com propriedades únicas, mesmo que seja feito somente de um material, como as soluções de filmes 100% PE para embalagens stand-up pouches (SUP) ou os termoformados flexíveis.

A estrutura usual no país dos filmes coex é a de três camadas. Quanto ao material mais utilizado, de forma geral, o setor credita ao polietileno o maior consumo. Hoje, para embalagens com barreira, a estrutura mais comum é composta por uma camada externa, que permite a impressão e garante proteção; uma camada no meio, que funciona como barreira a gás (PVDC, EVOH, PET/PEN etc.); e uma camada interna, como PE ou PVA, para garantir uma selagem hermética. Vale ressaltar, porém, que estruturas multicamadas podem também ser usadas com várias resinas de um mesmo material como, por exemplo, o polietileno.

Na opinião de Boaventura, os polímeros especiais, tais como os polietilenos-metalocênicos, os copolímeros de etileno (EVA, EMA, EAA) e os ionômeros, devem apresentar taxa de crescimento superior à dos polímeros mais comuns. “Essa tendência é notada, principalmente, em embalagens flexíveis que exigem maior barreira a gases, “hermeticidade” e velocidade de selagem, mesmo na presença de contaminantes como pós, óleos e produtos ácidos”, explica. No entanto, ele ressalta que os polietilenos convencionais, assim como os filmes de polipropileno (CPP, BOPP) e de PET, continuarão a ser a base para a produção de filmes mono e multicamada.

A indústria de alimentos possui uma grande variedade de aplicações e requisitos de embalagem. Até por este motivo, ela ainda lidera o consumo da tecnologia de coextrusão no país. Mas, conforme observam alguns profissionais da área, as indústrias de produtos para animais, higiene pessoal e limpeza, químicos e farmacêuticos também endossam as vendas cada vez mais. Um caso curioso é o de pet foods, segmento que vem avançando. No caso específico de comida para gatos, migrou dos filmes de três camadas para os de cinco. O animal é exigente quanto aos odores.

Para a indústria alimentícia, sobretudo, é um imperativo investir na coextrusão. Um exemplo típico é o segmento de cárneos. No passado, a carne era comercializada fresca, hoje, precisa garantir shelf lives cada vez maiores. Novos tempos, novas exigências.

(Fonte: Portal do Plástico, 04 de novembro de 2013)