Fabricantes de embalagens já destinam 70% da produção para cosméticos

Fabricantes de embalagens já destinam 70% da produção para cosméticosNo último ano, o mercado de cosméticos movimentou R$ 36,2 bilhões, 15,2% a mais que no ano anterior, o que demonstra o forte potencial de crescimento do setor. Não é à toa que as vendas de embalagens para este segmento já representem 70% dos negócios realizados por três grandes companhias nacionais que atendem esse mercado – Antilhas, C-Pack e Igaratiba.

Diante da força desse mercado, a Antilhas, uma das maiores fabricantes de embalagens, dividiu seus negócios em duas áreas distintas: varejo e indústria. A empresa, com sede em Santana do Parnaíba (SP), investiu, no ano passado, mais de R$ 30 milhões em projetos de automação e aquisição de novos equipamentos para acelerar o atendimento aos clientes. Com isso, aumentou em 140% sua capacidade produtiva e pretende dobrar seu faturamento de 2011 até 2015, segundo o gerente de vendas da empresa, João Elcio Luongo Júnior.

“Há dois anos iniciamos esse projeto para atender a demanda da indústria, que investe em produtos e processos para se diferenciar”, explica Luongo Júnior.

De acordo com dados do Estudo Macroeconômico da Embalagem ABRE/FGV, a produção de recipientes em geral, destinados para todos os setores da indústria (o estudo não subdivide os segmentos), deve crescer em torno de 2% nesse ano. No último ano, o setor que inclui perfumaria mais sabões, detergentes e produtos de limpeza apontou crescimento médio de 3,32% na produção, conforme dados do estudo e tudo indica que deve se manter aquecido neste ano.

As empresas de cosméticos já descobriram há algum tempo o poder de atração das embalagens, que acabam agregando valor aos produtos e se destacando no mercado. Além disso, existe uma infidelidade generalizada entre os consumidores brasileiros no que diz respeito aos cosméticos. Muitos não ligam para marcas, e sim ao que cada produto pode oferecer de novo. Por isso, a indústria aposta em design para inovar.

“A importação e o aumento das viagens para o exterior fizeram com que os brasileiros tivessem contato com produtos até mais sofisticados, obrigando a indústria nacional a investir em recipientes”, explica Luciana Pellegrino, diretora executiva da ABRE.

Ainda segundo o Estudo ABRE/FGV, em 2012 as importações de embalagens somaram US$ 853 milhões, aumento de 4,12% em relação ao ano de 2011. Já as exportações contabilizaram US$ 498 milhões, apontando um crescimento de 5,85% comparado ao ano anterior, mas que demonstra uma retração em comparação ao ano de 2011 que apresentou um crescimento de 18,68% nas exportações diretas do setor de embalagem.

A diminuição no índice de exportação indica um aumento da demanda interna, principalmente do chamado “quarteto fantástico”, formado pela Avon, Natura, O Boticário e Jequiti.

Fabricante de bisnagas plásticas, a C-Pack faturou, no ano passado, R$ 100 milhões. Segundo o diretor comercial da companhia, Fabio Yassuda, esse número deve chegar a R$ 130 milhões em 2013. “O faturamento deve crescer, assim como nossa capacidade produtiva que passará de 130 milhões para 160 milhões de tubos”, diz o diretor. Além disso, a companhia, com sede em Florianópolis (SC), investirá R$ 40 milhões para a construção de duas novas linhas que devem ficar prontas em 2014. “Nos últimos dois anos, investimos R$ 80 milhões para elevar capacidade. Em 2014, investiremos mais”, diz Yassuda.

A mesma evolução é registrada pela Igaratiba. A fabricante de Campinas (SP) também aposta em design e tecnologia para oferecer um diferencial aos produtores de cosméticos, segundo o gerente comercial da empresa, Valter Quintino. Em 2012, a Igaratiba faturou R$ 250 milhões contabilizando todos os setores nos quais atua. Para Quintino, até o final de 2014, o faturamento da empresa deve crescer em 12%.

(Fonte: Portal ABRAS / DCI, 27 de maio de 2013)