Envelhecimento da população exige mudanças nos produtos

Envelhecimento da população exige mudanças nos produtosEstamos ficando mais velhos. Não só porque o tempo passa para todos, mas principalmente porque estamos mais saudáveis e temos menos filhos. Não por acaso, a expectativa de vida da população em geral vem aumentando.

Isso é o que a A.T. Kearney intitulou de Agequake (ou terremoto demográfico, em tradução livre para o português) no estudo “Compreendendo as necessidades e consequências do envelhecimento do consumidor”, divulgado no dia 20 de março deste ano. Com um mercado de consumo e serviços adaptado aos mais novos, empresas de diversos setores precisaram se repaginar para atingir esse novo público de terceira idade.

Mesmo que as adaptações sejam muito mais urgentes nos países mais desenvolvidos, no Brasil a idade já bate à porta. Em 35 anos, o mundo deverá ter mais pessoas com mais de 60 anos que menores de 15. No Brasil, essa inflexão é esperada já em meados de 2030.

Os principais setores afetados serão os de serviços e de bens de consumo, com destaque para os alimentos e cuidados pessoais. “As empresas vão ter de entender que o público idoso não será mais uma minoria”, afirma Carlos Higo, diretor da A.T. Kearney.

O brasileiro já larga com uma vantagem frente ao processo de envelhecimento da população nos países desenvolvidos. Uma vez que em países como Alemanha, França e Espanha esse processo já esta em estágio mais avançado, é possível trazer as experiências das empresas de lá, que já readaptaram sua forma de produzir e criar produtos.

A pesquisa aponta um enriquecimento da população idosa. Por exemplo, nos Estados Unidos os ativos financeiros de maiores de 50 anos respondem por 80% deste mercado. No ano passado, gastaram US$ 17 bilhões a mais em carros que os mais jovens, abaixo de 50 anos.

“Estamos assistindo a uma população idosa se desenvolver com melhora no poder aquisitivo”, diz Higo. A expectativa é que já em 2020, os idosos representem 15,4% do consumo nacional – em 2005 essa participação era de 9,7%.

O segundo viés de mudança está no comportamento. Ao contrário dos jovens, que têm larga disposição para sair, conduz carros e vive o cotidiano de forma independente, os mais velhos tendem a aumentar o uso do e-commerce.

“O brasileiro já gosta de tecnologia e é muito adepto das compras pela internet”, diz Pietro Gandolfi, diretor da A.T. Kearney. Ao contrário do que têm sido visto, a próxima geração de idosos já viveu boa parte da idade ativa dentro do ambiente tecnológico, o que deve facilitar esse acesso. “O hábito de usar a tecnologia vai continuar com a geração”, afirma.

(Fonte: Portal Exame, 20 de março de 2013)