Embalagens para alimentos: perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovar

Embalagens para alimentos: perfil de compra do brasileiro mudou e obrigou a indústria do plástico a inovarA grande maioria dos produtos comercializados nos supermercados não tem apoio de comunicação. Este dado por si só revela quão importante a embalagem pode ser ao setor alimentício, como, por exemplo, a embalagem plástica. As características da resina a tornam ideal para injetar competitividade ao mercado de alimentos, até porque embalar, nos dias atuais, vai além da proteção, da preservação e da distribuição.

O perfil de compra do consumidor mudou. Para acompanhar este ritmo, a indústria de embalagens para alimentos aposta na inovação: aperfeiçoa processos, desenvolve novas matérias-primas e lança tendências.

“Vemos uma nova maneira de comprar”, comenta Claire Sarantópoulos, engenheira do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e do Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA). O perfil socioeconômico do país se transformou. O poder aquisitivo do brasileiro aumentou, e por conta disso o consumo de alimentos também. O Brasil viu surgir uma nova classe média e um grau maior de exigência em relação à alimentação. O que se vê são novos interesses despontando.

O ITAL, não por acaso, criou o Brasil PackTrends, em 2008. A ideia era entender os principais fatores de impacto e tendências para os próximos anos, de forma que isso ajudasse as indústrias de alimentos/bebidas e de embalagens a serem mais competitivas. A mais nova versão deste documento foi apresentada este ano pelo ITAL.

Na ocasião, a pesquisadora revelou alguns dos caminhos pelos quais o setor vai seguir. Segundo Claire, o instituto diagnosticou cinco macrotendências, e as categorizou da seguinte forma: estética e identidade; conveniência e simplicidade; qualidade e novas tecnologias; sustentabilidade e ética, e segurança e assuntos regulatórios.

O novo comprador tem a necessidade de luxo e sofisticação e, por isso, ela previu uma inclinação para o aumento do consumo de produtos de alto valor agregado. “O consumidor deseja uma experiência prazerosa; é de diferenciação que estamos falando, ele quer se sentir diferenciado”, comenta. Ela cita as garrafas PET para água de marcas premium como a Crystal. “Esta resina é nosso diamante de plástico”, diz. Em tempo, entre as principais propriedades do PET estão a alta transparência, barreira a gases e resistência mecânica. O processo de injeção-estiramento-sopro, ao qual a resina passa na fabricação das embalagens, promove uma biorientação molecular, o que contribui para aumentar suas características físicas e de barreira.

Aliás, a transparência está cada vez mais em alta. A sensação de segurança transmitida ao consumidor – este almeja ver o conteúdo da embalagem, garante a preferência. Conforme explica o especialista em design e embalagem Fabio Mestriner, a onda das embalagens transparentes vem ganhando força, e as empresas que buscam inovação e personalidade para seus produtos devem ficar atentas para as novas possibilidades estéticas desta característica. “A transparência é mágica”, ressalta.

Segundo a pesquisa divulgada por Claire, o consumidor também valoriza a conveniência e a simplicidade. A pesquisadora conta que a embalagem precisa ser fácil de abrir, de carregar e ter o atributo da portabilidade, o produto deve permitir o seu consumo em qualquer lugar e ocasião. Neste quesito, Mestriner propõe uma nova aplicação para o PET em âmbito nacional. Ele dá o exemplo dos Estados Unidos, onde há salgadinhos (snacks) em embalagens feitas com esta resina. “É uma versão to go, para comer sem se sujar.” O produto se assemelha às garrafinhas de iogurtes, o que possibilita ao consumidor ingerir o conteúdo sem pegá-lo com as mãos

Outra tendência anunciada inclui a necessidade da indústria de oferecer ao consumidor embalagens ativas e inteligentes.

Em linhas gerais, o primeiro tipo melhora e mantém a qualidade e a segurança do alimento por meio de sua interação com o produto ou o ambiente, enquanto a inteligente é aquela capaz de trazer uma informação para o consumidor sobre as condições do produto embalado. “Enquadram-se aqui as garrafas com absorvedor de oxigênio e as embalagens com indicador de temperatura e localização com a etiqueta RFID (Radio-Frequency IDentification), por exemplo”, cita Claire, entre o que há de novo neste sentido.

Para Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), a inovação é palavra de ordem para o setor. Até por isso, novas aplicações e projetos diferenciados pautam os desenvolvimentos da indústria de embalagens para alimentos. Marçon vê a matéria-prima como um ponto importante neste quesito, e comenta a novidade de uma das três maiores fabricantes de resinas PET no mundo, a Mossi&Ghisolfi (M&G). Trata-se do Proesa, um desenvolvimento recente da companhia para a produção de etanol oriundo da biomassa. A GraalBio fechou acordo com a Beta Renewables, joint venture formada pela Chemtex, subsidiária do grupo italiano M&G desde 2004, para produzir, em Alagoas, etanol celulósico em escala industrial, com base na tecnologia Proesa.

Marçon também fala de inovação no âmbito da transformação. “Nossa embalagem (PET) tem muito a avançar; é preciso investir em design”, afirma. Para ele, além dos setores tradicionais, como refrigerante, água e óleo, a associação tem mirado outras áreas. Como nova aplicação para a resina, ele destaca o mercado de lácteos. “Este segmento está chegando ao Brasil”, diz.

A resina PET tem forte atuação no mercado de refrigerante, com 58,3% de participação no setor. Em seguida estão a água mineral (16,5%) e o óleo de cozinha (10,7%). O restante se divide entre suco de fruta (1,12%) e outros (13,38%).

A inovação se dissipa em diversas frentes. Uma das oportunidades que vêm sendo anunciadas há algum tempo para o PET está no envase do leite UHT. Esse é o nome dado ao processo de ultrapasteurização, ao qual o leite é submetido, caracterizado pelo seu aquecimento a temperaturas entre 130ºC e 150ºC, durante dois a quatro segundos, seguido de resfriamento a temperaturas inferiores a 32ºC. Para Ayrton Irokawa, gerente de vendas de máquinas da Krones do Brasil, a aplicação pode ir além, abarcando outros tipos de bebidas consideradas sensíveis, como sucos,  chás, água de coco e smothies.

(Fonte: Embalaweb / Portal Plástico, 09 de setembro de 2013)