Destino de embalagens pós-consumo entra na pauta

Destino de embalagens pós-consumo entra na pautaOs setores de higiene e beleza e de limpeza doméstica colecionam bons resultados, registrando crescimento em valor e volume quase que continuamente, ano após ano. Empresas que atuam nesses mercados também estão cada vez mais atentas com questões de meio ambiente e sustentabilidade. E quando esse é o assunto, um dos pontos é o que fazer com as embalagens pós-consumo. Possivelmente a resposta mais clara seja a reciclagem.

Uma pesquisa da consultoria Maxiquim, encomendada pela Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e desenvolvida de acordo com metodologia do IBGE, aponta que em 2011 foram reciclados no Brasil 21,7% dos plásticos pós-consumo. Ou seja, 736 mil toneladas de plástico que iriam para o lixo foram transformadas em novos produtos, informa o estudo. Em 2010, a marca foi de 19,4%. A posição do Brasil no ranking mundial em termos de índice de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo tem relevante destaque. A média da União Europeia é de 24,7%.

Segundo a pesquisa, em 2011 o Brasil registrou 815 recicladoras de plásticos, sendo mais de 50% delas no Sudeste, mais que 30% no Sul e quase 10% no Nordeste. De acordo com o estudo, essas empresas faturaram, juntas, em 2011, R$ 2,4 bilhões, um crescimento de 23% ante o ano anterior. E geraram 22,7 mil empregos diretos.

Os segmentos que mais consumiram plásticos reciclados no ano passado foram utilidades domésticas, agropecuária, industrial, têxtil, construção civil, descartáveis, infraestrutura, limpeza doméstica, eletroeletrônicos, indústria automobilística, móveis e calçados.

O diretor-executivo da Plastivida, Miguel Bahiense, acredita que a educação – a disseminação dos conceitos de consumo responsável, reutilização dos produtos e destinação adequada dos resíduos, entre eles os plásticos – é o canal mais eficaz para que toda a sociedade compreenda seu papel em prol da sustentabilidade. “É por meio da educação e do empenho de todos, poder público, indústrias e população, que vamos conseguir aproveitar melhor os recursos, gerar economia e garantir a preservação ambiental”, afirma.

Uma empresa que exemplifica a preocupação com as embalagens no sentido de serem mais sustentáveis é a P&G Brasil, que desenvolve projeto de logística reversa envolvendo cooperativas de catadores em São Paulo. Em parceria com a WiseWaste, a nova iniciativa está coletando, desde fevereiro de 2012, embalagens recicláveis e transformando-as em novos materiais para as ações de marketing das marcas da P&G. As coletas de embalagens pós-consumo são realizadas diretamente em cooperativas, pontos de entrega voluntária e na própria indústria.

O primeiro grande passo da iniciativa é a implementação de materiais em 125 lojas da rede Extra Hiper, em São Paulo. Os novos displays da campanha 3D White da marca Oral-B foram produzidos a partir do material plástico de polipropileno, um dos componentes das embalagens da P&G. Segundo a empresa, este conceito é conhecido como Ecologia Industrial, onde resíduos de um sistema se transformam em matéria-prima para outro. Já foram recolhidas mais de mil toneladas de materiais recicláveis de cinco cooperativas. “A P&G Brasil comemora mais esse passo importante para promover os seus conceitos e metas de sustentabilidade em todos os seus processos”, destaca Gabriela Onofre, diretora de comunicação da empresa.

A Colgate também se movimenta nesse sentido. A companhia fechou uma parceria com a TerraCycle, empresa americana que trouxe as “Brigadas de Coleta” para o Brasil há três anos para coletar e proporcionar uma segunda vida aos materiais recicláveis, como tubos de cremes dentais, escovas dentais e embalagens. A parceria chama a atenção para a importância do descarte responsável de resíduos e incentiva o seu reaproveitamento. O objetivo da iniciativa é buscar o engajamento dos consumidores para que multipliquem o conhecimento sobre o tema reciclagem e levem essa iniciativa para todos.

Empresas fornecedoras de insumos para os nichos de cosméticos e household também oferecem soluções de embalagens às indústrias, com foco em sustentabilidade. Quem ilustra bem isso é a Dow, que possui uma série de soluções que permitem a fabricação dos mais diversos tipos de embalagens flexíveis.

A empresa destaca, em termos de inovação para embalagens flexíveis para cosméticos, o Stand Up Pouche 100% PE (polietileno). Embora o Stand UP Pouche seja uma solução já disponível no mercado, a solução 100% PE permite e otimiza a reciclagem total da embalagem.

(Fonte: Revista H&C – Household & Cosméticos, 28 de janeiro de 2013)