Consumo crescente de alumínio e início de novo ciclo

Consumo crescente de alumínio e início de novo cicloO consumo de alumínio per capita dobrou nos últimos dez anos no Brasil. Até o início de 2004, cada brasileiro consumia 3,8 kg de alumínio ao ano, valor que hoje supera os 7,5 kg. O número foi acompanhado de um volume de negócios sempre acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com elasticidade média de 1,7 vezes – em 2013, por exemplo, o consumo cresceu 5,3%, ao passo que o PIB ficou na casa dos 2%. O crescimento dessa indústria foi um dos motores do país nos últimos dez anos – com participação média próxima a 4% no PIB industrial brasileiro. Os indicadores revelam que o setor não apenas aproveitou a onda de crescimento da classe C, com aumento da renda e do crédito disponível, como também fomentou, ele próprio, o desenvolvimento do país.

Somando diversos segmentos, tais como: embalagem, construção civil, indústria automobilística, transporte, máquinas e equipamentos, entre outros, o crescimento do consumo de transformados de alumínio cresceu 110% nos últimos dez anos no Brasil – ou 8,6% ao ano. Hoje, por exemplo, o brasileiro consome, em média, 103 latinhas de alumínio ao ano e convive com prateleiras cheias de novos formatos, alta tecnologia de impressão e inteligência logística que são benchmarking mundial. Há dez anos, o cenário era outro. Uma das métricas desse desenvolvimento é o volume de laminados fornecidos pela Novelis, sendo que os principais clientes são os fabricantes de latas para bebidas.

A estabilidade econômica – com juros baixos e câmbio favorável – e o salto no consumo que deriva desse contexto também mudou a percepção do Brasil no ambiente de negócios global.  “O país ficou reconhecido como potência econômica mundial: o nível de envolvimento nas transações internacionais aumentou muito, o mercado se abriu para produtos estrangeiros no Brasil e para brasileiros no exterior. Muitas coisas foram aproveitadas, mas também perdemos boas oportunidades”. A análise, de Tito Martins, presidente da Votorantim Metais, remete ao fato de que, após a crise de 2008, saltou aos olhos o que já se sabia: que a aposta da indústria nacional não estava sendo acompanhada por infraestrutura, logística e uma política industrial. De acordo com dados da ABAL – Associação Brasileira do Alumínio, um estudo de 2011 demostrava que os investimentos da cadeia produtiva do alumínio ultrapassavam os R$ 2,2 bilhões ao ano.

Nesses últimos dez anos, um dos destaques do Brasil está na reciclagem de alumínio, especialmente de latinhas para bebidas. Case internacionalmente celebrado, o sistema brasileiro de reciclagem da embalagem é referência e líder mundial, com índice de 98% de reaproveitamento. “A decisão mais acertada foi medir o índice de reciclagem de latas de alumínio. Transformar um número numa linguagem fácil para a população”, conta José Roberto Giosa, à época coordenador da comissão de reciclagem da ABAL.

Os movimentos para suprir a demanda local são realmente necessários. Até porque, as perspectivas são de alta constante: o Brasil deve chegar em 2025 consumindo 3,7 milhões de toneladas alumínio, segundo estudos da ABAL. Ainda há muito mercado para crescer, tendo em vista a média mundial de consumo de 25 kg de alumínio per capita nos países desenvolvidos. Pela frente, são dois os principais desafios. Por um lado, o resgate da competitividade frente aos importados.  Por outro lado, a indústria precisa continuar a alimentar novos ciclos de investimento em eficiência e melhoria contínua. O cenário nacional não tem respostas prontas. Certo mesmo é que o consumo crescerá e a indústria do alumínio continua disposta a investir no Brasil, por mais novos ciclos, por outros dez anos.

De acordo com dados auditados pela Mintel, nos últimos dois anos foram lançados 573 produtos no Brasil envasados em embalagens de alumínio. Os desodorantes foram a categoria que apresentou o maior número de lançamentos de produtos, seguidos por bebidas alcóolicas na segunda colocação, refrigerantes (3º), produtos para cabelos (4º), bebidas energéticas e isotônicas (5º), sucos e bebidas de fruta (6º), produtos para pele (7º), café (8º), bebidas prontas para beber (9º) e produtos para barbear e depilação (10º).

A Unilever foi a empresa que mais lançou produtos no período, seguida pela Yamá Cosméticos em segundo lugar, Ambev (3º), Beiersdorf (4º), Coca-Cola (5º), Nestlé (6º), New Age Indústria de Bebidas (7º), Cervejaria Petropólis (8º), Schincariol (9º) e Refriso – Refrigerantes Sorocaba (10º).

A lata foi a embalagem mais utilizada durante o período, seguida por aerossol na segunda posição, tubo/bisnaga (3º), cápsulas (4º), bandeja (5º) e garrafa (6º).

Consumo crescente de alumínio e início de novo ciclo

(Fonte: Revista Alumínio, n.37, 4º trimestre de 2013 / Centro de Informações ABRE, janeiro de 2014)