A corrida das resinas para dar banho, tosa e laço nas embalagens

A corrida das resinas para dar banho, tosa e laço nas embalagensPolietilenos (PE) estão presentes em sacos de pet food por mérito de seu poder de barreira, resistência mecânica e adequação ao fechamento. Essa vocação coringa paira sobre o consumo brasileiro em torno de 28.000 toneladas do termoplástico no embalamento de rações e snacks em 2012, calcula Carlos Augusto Maia Faria, engenheiro de aplicação do segmento de filmes especiais da Braskem.

“O setor de pet food trabalha na simplificação das estruturas, pendendo para embalagem monomaterial em função dos custos e desde que atenda às exigências de aplicação”, explica Faria. Ele ilustra essa onda com o uso de grades de polietileno de alta densidade (PEAD) de seu catálogo. “Resinas como HS5403, HE150 e AC59 batem polietilenos de baixa densidade e linear (PEBDL) em termos de poder de barreira, em especial ao vapor d’água e gordura”, compara. No mercado das rações, pondera o engenheiro, é corriqueiro o emprego de sacos monocamadas, à base de PEBD e PEBDL. “São soluções sem poder de barreira e a adição de PEAD à mistura contribui para ampliar a vida de prateleira do alimento”, atesta.

Rações premium, por seu turno, são o eldorado dos sacos laminados, embalagens nas quais o poder de barreira de PE empalidece perto do alumínio, polipropileno e poliéster biorientados (BOPP, BOPPET). Em determinadas circunstâncias, nota Faria, o PEAD abre caminho nesses sacos multicamada, a título de proporcionar a necessária rigidez e resistência mecânica, entre outros atributos. “Esses casos são baseados nos custos finais do filme e devem ser bem avaliados para se evitar a perda de qualidade do produto envasado”.

Número global em PE, a Dow completa sua marcação sobre o pet food com selantes e adesivos. No âmbito do termoplástico, “o mercado brasileiro de rações e snacks mobilizam em torno de 25.000 t/a da resina”, explicam Nicollas Mazzola, líder de tecnologia para desenvolvimento de embalagens especiais e de alimentos, e Juliana Polizel, especialista da mesma área.

O leque de PE da Dow é o reino da especificidade. Se as exigências para sacos de pet food são excelência na solda e resistência, Mazzola e Juliana indicam as resinas lineares base octeno Dowlex NG 2045B e TG 2085B. Se o assunto é poder de barreira à umidade e à gordura, a pedida é Elite 5960B. “Também ajuda a reduzir o chamado efeito pipoca, a deformação superficial das embalagens pelo empilhamento”, colocam os dois técnicos. Para sacarias de alto volume, aliando rigidez e resistência à perfuração, rasgo e queda, a recomendação deles recai sobre o grade Elite 5110G. Para sacos multicamada dependentes de barreira a oxigênio e odores, os executivos recorrem às resinas adesivas para extrusão Amplify TY, diferenciadas pelos reduzidos níveis de géis e alta adesão a materiais polares a exemplo dos agentes de barreira poliamida (PA) e álcool etileno vinílico (EVOH).

Entre os agentes de barreira, o PA é muito utilizado em estruturas coextrusadas, a seguir laminadas com alumínio ou filmes biorientados. Com cadeira numerada nesse mercado, a BASF conta com um arsenal de homo e copolímeros para se impor em pet food. “Para aplicações em que a visualização do produto seja requisito da embalagem, a indicação recai sobre copolímeros de PA 6 formulados no Brasil da série Mazmid 380”, sugere Adriana Lima, gerente de marketing de PA e intermediários do grupo alemão para a América do Sul. “Quando as exigências restringem-se à resistência mecânica e ao poder de barreira (oxigênio, odor, sabor, gordura etc.), recomendo o homopolímero Mazmid B 300, superior neste desempenho aos copolímeros”. A propósito, frisa Adriana, por conferir resistência e barreira à gordura, o PA enseja a redução de espessura dos filmes. Retomando o fio do portfólio da BASF, a gerente acena ainda com Ultramid B33Sl, homopolímero modificado de lenta cristalização. “Combina o desempenho mecânico e de barreira de PA homopolímero com melhorias de processamento”, amarra Adriana.

Com status platinum entre as resinas de barreira, o EVOH transita pouco pelos sacos de pet food no Brasil, constata Guilherme Ferreira do Nascimento, engenheiro de desenvolvimento da Intermarketing Brasil, representante dos polímeros marca Eval da Evalca, controlada do grupo nipoamericano Kuraray. “O EVOH tem lugar em embalagens de rações de combate (Standard) ou nobres, pois ambas dependem de barreira a oxigênio”, alega o executivo. O potencial para EVOH em pet food é mesmo animal, vislumbra Nascimento. “Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu perto de 26 milhões de toneladas de rações e alimentos para pets”. Um mercado e tanto para o EVOH, ele deduz, considerando a presença da resina em torno de 3% na composição da embalagem.

(Fonte: Plásticos em Revista, n.589, fevereiro de 2013)