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Reciclagem no Brasil
O
perfil qualitativo dos resíduos sólidos urbanos
no Brasil, de uma maneira geral, é denominado de
" Lixo pobre", por conter uma baixa parcela de
materiais reaproveitáveis.
A Constituição Federal estabelece que o Poder
Público Municipal é o órgão
responsável pela coleta de lixo, além da limpeza
das ruas e praças da cidade. Formas inadequadas de
acondicionamento de lixo podem gerar grandes prejuízos
ao meio ambiente. Os lixões, por exemplo, são
formas inadequadas de acondicionamento, pois são
responsáveis pela proliferação de doenças,
solo contaminado e mau cheiro.
O Brasil, mesmo quando comparado a alguns países
desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem.
O país desenvolveu métodos próprios
para incrementar essa atividade e o maior engajamento da
população pode contribuir ainda mais, para
o aumento do índice de embalagens reaproveitadas.
Análise da Reciclagem no
Brasil por material:
Vidro
|
47% das embalagens de vidro são recicladas no Brasil somando 470 mil ton/ano. Desse total, 40% são oriundos da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10% do "canal frio" (bares, restaurantes, etc) e 10% do refugo da indústria. Na Alemanha, o índice de reciclagem gira em torno de 87%, correspondendo a 2,6 milhões de toneladas, na Suíça (95%), e a média de reciclagem na Europa é de 62%.
Em 2003, 45% do total de vidro que circula no mercado nacional foram reciclados, somando mais de 580 mil toneladas. Este índice praticamente dobrou em uma década, visto que em 1993 o índice de reciclagem era de 25% do total produzido deste material.
Em 2007, 47% do total de vidro que circula no mercado nacional foram reciclados, enquanto que os Estados Unidos reciclaram 40%.
Com um quilo de vidro se faz outro quilo de vidro, com perda zero e sem poluição para o meio ambiente. Além da vantagem do reaproveitamento de 100% do caco, a reciclagem permite poupar matérias primas naturais, como areia, barrilha, calcário, etc. Esse material reciclado pode ser aplicado em segmentos como pavimentação de estradas, fibra de vidro, bijuterias e muitos outros.
Limitações: A reciclagem desse material não é maior devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata. Além disso, o material não pode estar misturado com pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas ou até mesmo vidro plano usado para automóveis, pois a química do material é diferente o que impede a reciclagem.
Limitações: A reciclagem
desse material não é maior
devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata. Além
disso, o material não pode estar misturado com pedaços de cristais,
espelhos, lâmpadas ou até mesmo vidro plano usado para automóveis,
pois a química do material é diferente o que impede a reciclagem.
Papel
e Papelão
|
43,7% de todo o papel que circulou no país em 2008 retornou à produção de papel, existindo ainda uma grande quantidade de aparas de papel que são utilizadas em outros produtos como a fabricação de telhas e cujo volume não é computado nas estatísticas. Se do total de papel que circulou no país, retiramos os que não são passíveis de reciclagem, temos uma taxa de recuperação de 50,8%.
As caixas feitas em papel ondulado são facilmente recicláveis, consumidas principalmente pelas indústrias de embalagens, responsáveis pela utilização de 64,5% das aparas recicladas no Brasil. Em 2008, 79,6% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil foi reciclado. No mercado americano, as caixas onduladas têm 21% de sua composição proveniente de papel reciclado.
Em 2008 as porcentagens no Brasil foram de:
79,6% - papelão ondulado
43,7% - papel de escritório
Limitações: A contaminação com cera, óleo, plástico e outros materiais prejudicam a reciclagem destes. Porém, como as caixas de papelão ondulado não cabem em cestas de lixo, são coletadas separadamente diminuindo o risco de contaminação do material.
Embalagens Compostas (Longa
Vida)

|
26,6% foi a taxa de reciclagem de Embalagens
Longa Vida no Brasil em 2008 totalizando cerca de 52
mil toneladas. Na Europa, em 2007 a reciclagem deste material ficou em 30%. Cada tonelada de embalagem cartonada reciclada
gera, aproximadamente, 680 quilos de papel kraft. No
Brasil, é previsto
um aumento constante da reciclagem dessas embalagens devido à expansão
das iniciativas de coleta seletiva com organização
de municípios, cooperativas e comunidade e ao desenvolvimento
de novos processos tecnológicos. A taxa de reciclagem
mundial é de 16% de Embalagens Longa Vida pós-consumo.
Em 2003 a taxa de reciclagem das embalagens longa vida
no Brasil foi de 20% totalizando cerca de 30 mil toneladas.
A partir da reciclagem dessas embalagens é possível
obter fibras para confecção de caixas de
papelão e plástico/alumínio que podem
ser utilizados para fabricação de peças
plásticas como vassouras, canetas e até placas
e telhas.
Limitações: Uma
vez as embalagens longa vida separadas na coleta seletiva
e encaminhadas para as indústrias recicladoras adequadas, não
há limitações para a sua reciclagem
e reaproveitamento de todas as suas camadas. Entretanto,
alguns cuidados podem auxiliar na melhor separação
e armazenamento na coleta seletiva. É importante
que as embalagens estejam livres de resíduos orgânicos
como restos de comidas, pois isso evita odores desagradáveis
ao material armazenado. Outra forma de contribuir, é manter
as embalagens compactas (sem ar), pois diminui o volume
de material que deve ser encaminhado para coleta seletiva.
Metal
Aço
|
46,5% das latas de aço consumidas no Brasil em 2008
foram recicladas. Este índice vem aumentando graças à ampliação
de programas de coleta seletiva municipais e programas
de reciclagem pós-consumo para estimular a coleta
destas embalagens. Esta iniciativa permitiu à embalagem
de bebida carbonatada atingir o índice de 88% de
reciclagem, número auditado por empresa independente.
Em 2007, 49% da produção nacional foi reciclada.
Se considerarmos os índices de reciclagem de carros velhos, eletrodomésticos,
resíduos de construção civil, ou seja, todos os segmentos
do aço e somarmos aos índices das embalagens deste material,
o Brasil recicla cerca de 72% de todo o aço produzido anualmente.
Limitações: As
latas devem estar livres das impurezas contidas no lixo,
principalmente terra e outros materiais metálicos. O estanho em
concentração elevada pode dificultar a reciclagem
fazendo-se necessária a retirada deste por processos
metalúrgicos que encarecem o processo.
Alumínio
|
Em 2008, o Brasil reciclou aproximadamente 91,5% da produção nacional de latas.
O material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 130 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio, entre 2000 e 2007, teve um crescimento significativo, devido ao aumento da participação de condomínios e clubes nos programas de coleta seletiva. Os números brasileiros superam países industrializados como Japão e EUA. Em 2008, os Estados Unidos recuperaram 54,2% de suas latinhas. O alumínio é reciclável sem perder as suas características, por isso latas e outros tipos de sucata (perfis, panelas, peças fundidas, etc), podem ser reutilizadas como outros produtos semi-manufaturados de alumínio, com características técnicas necessárias para atender às diversas aplicações.
A reciclagem do alumínio em 2008 alcançou os seguintes índices:
Brasil – 91,5%
Argentina – 90,8%
Japão – 87,3%
Estados Unidos – 54,2%
Limitações: A contaminação com matéria orgânica, a mistura com outros materiais, areia ou até mesmo excesso de umidade interferem na reciclagem do alumínio, dificultando sua recuperação para usos mais nobres.
Plásticos
|
21,24% dos plásticos rígidos e filme são reciclados em média no Brasil em 2008, o que equivale a cerca de 556 mil toneladas por ano. Não há dados específicos para o plástico filme. A taxa de reciclagem de plástico na Europa é de 18,3%, sendo que em alguns países a prática é impositiva e regulada por legislações complexas e custosas para a população local, diferentemente do Brasil, onde a reciclagem acontece de forma espontânea. É possível economizar até 50% de energia com plástico reciclado.
Limitações: A contaminação do material com a matéria orgânica, areia ou óleo e a mistura de polímeros que não são quimicamente compatíveis prejudicam o processo de reciclagem. Sendo assim, os vários tipos de polímeros precisam ser identificados e separados, através dos símbolos padronizados que identificam cada material.
PET – Poli (Tereftalato de Etileno)
O índice de reciclagem brasileiro do PET é de 54,8 %, o maior do mundo entre os países onde não há coleta seletiva. Em 2008, o volume reciclado foi de 253 mil toneladas de embalagens de PET . A capacidade instalada é de 462 mil toneladas. Entre os estados brasileiros, São Paulo detém a maior participação na reciclagem, seguido de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PET reciclado é utilizado principalmente para a produção de fibras de poliéster (40%), extrusão de chapas ( 16% ) e filmes para termoformagem (15%). Vários outros setores, entretanto, utilizam as embalagens de PET recicladas como matéria-prima: resinas para tintas, vernizes, adesivos e resina poliéster , tubos e vários outros.
No Brasil, 54,3% das embalagens pós-consumo foram efetivamente recicladas em 2008, totalizando 253 mil toneladas , num crescimento de 8,7% sobre o ano anterior . As garrafas são recuperadas principalmente através de catadores, além de fábricas e da coleta seletiva operada por municípios. Os programas oficiais de coleta seletiva, que existem em mais de 200 cidades do País, recuperam por volta de 1000 toneladas por ano. Além de garrafas descartáveis, existem no mercado nacional 70 milhões de garrafas de refrigerantes retornáveis, produzidas com este material. No Brasil a taxa de reciclagem de resinas de PET apresenta crescimento anual acima de 20% desde 1997, com picos de 35% (entre 2002/2003).
Em 2008 o Japão reciclou 69,2%, Europa 46%, Argentina 34%, Estados Unidos 27% e México 12,6%.
Cinquenta e oito indústrias processam o PET pós-consumo, produzindo bens como embalagens para não-alimentícios, fibra de poliéster para indústria têxtil, mantas para obras de geotecnia, vassouras e escovas, cordas, produtos de uso doméstico, tubos para esgotamento predial, telhas, filmes, chapas, etc.
Limitações: O consumidor ainda não está totalmente informado sobre a possibilidade de reciclagem e o conseqüente valor econômico da garrafa PET pós-consumo. Com isso, as embalagens acabam descartadas no lixo comum. Por outro lado, a falta de sistemas eficientes de coleta seletiva impedem a recuperação das garrafas, que acabam perdidas em aterros sanitários e lixões.
INDICES
DE RECICLAGEM NO BRASIL E NO MUNDO
Reciclagem
no Brasil e no Mundo
|
| A Reciclagem
de Plásticos |
| Brasil |
17,5% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
5% |
| Chile |
Menos que 5% |
| Alemanha |
60% |
| Espanha |
17% |
| França |
15% |
| República Tcheca |
27% |
| Bélgica |
28,5% |
| Polônia |
7% |
| Suécia |
17,6% |
| Luxemburgo |
28% |
| Estados Unidos |
13,5% - maioria garrafas de refrigerantes,
água e leite |
| Colômbia |
6% |
|
Fontes: Cempre - somente pós
consumo/Pro-Europe/EPA (2001)/Tetra Pak Américas
|
| Reciclagem de Papel/Papelão |
| Brasil |
43,9% papelcartão
73% papelão ondulado |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
10% |
| México |
60% |
| Espanha |
52,7% |
| França |
45% |
| República Tcheca |
62% |
| Noruega |
51% |
| Polônia |
38% |
| Suécia |
43,7% |
| Portugal |
16% |
| Luxemburgo |
85% |
| Estados Unidos |
55% |
| Colômbia |
35% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas
(1999)/Pro-Europe/EPA (2001) |
| Reciclagem de latas de aço |
| Brasil |
45% - latas em geral
78% - latas de aço para bebidas |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
15% |
| Chile |
10% |
| Peru, Bolívia e Equador |
25% |
| Espanha |
45% |
| República Tcheca |
35% |
| Bélgica |
96,5% |
| Suécia |
62% |
| Estados Unidos |
59% (maioria latas de aço) |
|
Fontes: Cempre - somentes
pós
consumo/Pro-Europe/EPA (2001)/Tetra Pak Américas
|
| Reciclagem de vidro/apenas
embalagens |
| Brasil |
44% |
| Chile |
5% |
| México |
50% |
| República Tcheca |
57% |
| Letônia |
27% |
| Noruega |
87,2% |
| Polônia |
13% |
| Suécia |
87,5% |
| Estados Unidos |
22% |
| Colômbia |
16% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas/Pro-Europe
(2002)
|
| Reciclagem de embalagens de
alumínio |
| Brasil |
87% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
60% |
| Alemanha |
97% |
| França |
20% |
| Noruega |
60% |
| Polônia |
15% |
| Portugal |
7% |
| Estados Unidos |
49% |
| Colômbia |
38% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas/Pro-Europe/EPA
(2001) |
| Destino dos resíduos
sólidos urbanos |
| País |
Aterros |
Incineração
com
recuperação
de energia |
Compostagem |
Reciclagem |
| Brasil |
90% (aterros ou lixões) |
____ |
1,5% |
8% |
| México |
97,6% (aterros ou lixões) |
____ |
____ |
2,4% |
| Estados Unidos |
55,4% |
15,5% |
29,1% compostagem + |
reciclagem |
| Alemanha |
50% |
30% |
5% |
15% |
| França |
48% |
40% |
12% compostagem + |
reciclagem |
| Suécia |
40% |
52% |
5% |
3% |
| Austrália |
80% |
Menos de 1% |
Insignificante |
20% |
| Israel |
87% |
____ |
____ |
13% |
| Grécia |
95% (aterros ou lixões) |
____ |
____ |
5% |
| Itália |
80% |
7% |
10% |
3% |
| Reino Unido |
83% |
8% |
1% |
8% |
| Holanda |
12% |
42% |
7% |
39% |
| Suíça |
13% |
45% |
11% |
31% |
| Dinamarca |
11% |
58% |
2% |
29% |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/EPA/Nolan - ITU Pty (2002)
|
| Geração de resíduos
sólidos urbanos per capital |
| País |
kg/hab/dia |
| Brasil |
0,70 |
| Uruguai |
0,90 |
| México |
0,87 |
| Estados Unidos |
2,00 |
| Canadá |
1,70 |
| Alemanha |
0,90 |
| Suécia |
0,90 |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/Pro Europe/EPA (Enviroment Protection
Agency) EUA (2002) |
| Composição dos
resíduos sólidos urbanos |
| |
Orgânico |
Metais |
Plásticos |
Papel/Papelão |
Vidro |
Outros |
| Brasil |
55% |
2% |
3% |
25% |
2% |
13% |
| México |
42,6% |
3,8% |
6,6% |
16,0% |
7,4% |
23,6% |
| Estados Unidos |
11,2% |
7,8% |
10,7% |
37,4% |
5,5% |
27,4% (com resíduos de tipo vegetal,
têxtil e madeira) |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/EPA (2002)
|
| Reciclagem de resíduos
orgânicos |
| Brasil |
1,5% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
Menos que 5% |
| Estados Unidos |
59,3% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/EPA (2001)
|
| Tabela geral de reciclagem em 2008 |
| Vidro |
País |
| 47% |
Brasil |
| Papel |
|
| 79,6% - Papelão ondulado |
Brasil |
| 43,7% - Papel de escritório |
Brasil |
| Longa Vida |
|
| 26,6% |
Brasil |
| Aço |
|
| 46,5% |
Brasil |
| Alumínio |
|
| 91,5% |
Brasil |
| 90,8% |
Japão |
| 87,3% |
Argentina |
| 54,2% |
Estados Unidos |
| Plástico |
|
| 21,2% |
Brasil |
| PET |
|
| 69,2% |
Japão |
| 54,8% |
Brasil |
| 46% |
Europa |
| 34% |
Argentina |
| 27% |
Estados Unidos |
| 12,6% |
México |
|
| Fonte: Cempre |
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