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Reciclagem no Brasil
O
perfil qualitativo dos resíduos sólidos urbanos
no Brasil, de uma maneira geral, é denominado de
" Lixo pobre", por conter uma baixa parcela de
materiais reaproveitáveis.
A Constituição Federal estabelece que o Poder
Público Municipal é o órgão
responsável pela coleta de lixo, além da limpeza
das ruas e praças da cidade. Formas inadequadas de
acondicionamento de lixo podem gerar grandes prejuízos
ao meio ambiente. Os lixões, por exemplo, são
formas inadequadas de acondicionamento, pois são
responsáveis pela proliferação de doenças,
solo contaminado e mau cheiro.
O Brasil, mesmo quando comparado a alguns países
desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem.
O país desenvolveu métodos próprios
para incrementar essa atividade e o maior engajamento da
população pode contribuir ainda mais, para
o aumento do índice de embalagens reaproveitadas.
Análise da Reciclagem no
Brasil por material:
Vidro
|
46% das embalagens de vidro são recicladas no Brasil
somando 390 mil ton/ano. Desse total, 40% são oriundos
da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10%
do "canal frio" (bares, restaurantes, etc) e
10% do refugo da indústria. Nos EUA, o índice
de reciclagem gira em torno de 40%, correspondendo a 2,5
milhões de toneladas, na Suíça (92%),
na Finlândia (91%), na Noruega e Bélgica (88%).
Em 2003, 45% do total de vidro que circula
no mercado nacional foram reciclados, somando mais de 580
mil toneladas. Este índice praticamente dobrou em uma década,
visto que em 1993 o índice de reciclagem era de 25% do
total produzido deste material.
Com um quilo de vidro se faz outro
quilo de vidro, com perda zero e sem poluição para o meio ambiente.
Além da vantagem do reaproveitamento de 100% do
caco, a reciclagem permite poupar matérias primas
naturais, como areia, barrilha, calcário, etc. Esse
material reciclado pode ser aplicado em segmentos como
pavimentação de estradas, fibra de vidro,
bijuterias e muitos outros.
Limitações: A reciclagem
desse material não é maior
devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata. Além
disso, o material não pode estar misturado com pedaços de cristais,
espelhos, lâmpadas ou até mesmo vidro plano usado para automóveis,
pois a química do material é diferente o que impede a reciclagem.
Papel
e Papelão
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33% do papel que circulou no País em 2004 retornou à produção
através da reciclagem. Esse índice corresponde à aproximadamente
2 milhões de toneladas. A maior parte do papel destinado à reciclagem,
cerca de 86%, é gerado por atividades comerciais e industriais.
No Brasil as indústrias consumiram 2,8 milhões de toneladas
de papel reciclado.
As caixas feitas em papel ondulado são facilmente recicláveis,
consumidas principalmente pelas indústrias de embalagens, responsáveis
pela utilização de 64,5% das aparas recicladas no Brasil.
Em 2004, 79% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil
foi reciclado. Nos EUA a recuperação de embalagens de
Papelão Ondulado atingiu em 2003 74%, com 23.165 mil toneladas
de aparas recuperadas.No mercado americano, as caixas onduladas têm
21% de sua composição proveniente de papel reciclado.
Limitações: A
contaminação
com cera, óleo, plástico e outros materiais prejudicam
a reciclagem destes. Porém, como as caixas de papelão
ondulado não cabem em cestas de lixo, são coletadas separadamente
diminuindo o risco de contaminação do material.
Embalagens Compostas (Longa
Vida)

|
25,5% foi a taxa de reciclagem de Embalagens
Longa Vida no Brasil em 2007 totalizando cerca de 48.500
mil toneladas. Cada tonelada de embalagem cartonada reciclada
gera, aproximadamente, 680 quilos de papel kraft. No
Brasil, é previsto
um aumento constante da reciclagem dessas embalagens devido à expansão
das iniciativas de coleta seletiva com organização
de municípios, cooperativas e comunidade e ao desenvolvimento
de novos processos tecnológicos. A taxa de reciclagem
mundial é de 16% de Embalagens Longa Vida pós-consumo.
Em 2003 a taxa de reciclagem das embalagens longa vida
no Brasil foi de 20% totalizando cerca de 30 mil toneladas.
A partir da reciclagem dessas embalagens é possível
obter fibras para confecção de caixas de
papelão e plástico/alumínio que podem
ser utilizados para fabricação de peças
plásticas como vassouras, canetas e até placas
e telhas.
Limitações: Uma
vez as embalagens longa vida separadas na coleta seletiva
e encaminhadas para as indústrias recicladoras adequadas, não
há limitações para a sua reciclagem
e reaproveitamento de todas as suas camadas. Entretanto,
alguns cuidados podem auxiliar na melhor separação
e armazenamento na coleta seletiva. É importante
que as embalagens estejam livres de resíduos orgânicos
como restos de comidas, pois isso evita odores desagradáveis
ao material armazenado. Outra forma de contribuir, é manter
as embalagens compactas (sem ar), pois diminui o volume
de material que deve ser encaminhado para coleta seletiva.
Metal
Aço
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47% das latas de aço consumidas no Brasil em 2003
foram recicladas. Este índice vem aumentando graças à ampliação
de programas de coleta seletiva municipais e programas
de reciclagem pós-consumo para estimular a coleta
destas embalagens. Esta iniciativa permitiu à embalagem
de bebida carbonatada atingir o índice de 78% de
reciclagem, número auditado por empresa independente.
Nos Estados Unidos, 60% das embalagens de folha de flandres
foram recicladas e no Japão 86%. A cada ano são recicladas no mundo 385 milhões
de toneladas de aço.
Se considerarmos os índices de reciclagem de carros velhos, eletrodomésticos,
resíduos de construção civil, ou seja, todos os segmentos
do aço e somarmos aos índices das embalagens deste material,
o Brasil recicla cerca de 70% de todo o aço produzido anualmente.
Limitações: As
latas devem estar livres das impurezas contidas no lixo,
principalmente terra e outros materiais metálicos. O estanho em
concentração elevada pode dificultar a reciclagem
fazendo-se necessária a retirada deste por processos
metalúrgicos que encarecem o processo.
Alumínio
|
Em 2005, o Brasil reciclou aproximadamente 9,4 bilhões
de latas de alumínio, que representa 127,6 mil toneladas.
O material é recolhido e armazenado por uma rede
de aproximadamente 130 mil sucateiros, responsáveis
por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria.
Outra parte é recolhida por
supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado
brasileiro de sucata de latas de alumínio, entre 2000 e 2005, teve um
crescimento significativo, devido ao aumento da participação
de condomínios e clubes nos programas de coleta seletiva. Outro dado
relevante é o surgimento de cooperativas e associações
de catadores em todo o país: a participação dessas entidades
na coleta de latas de alumínio passou de 43% em 2000 para 52% em 2005. 96,2% da produção nacional de latas foi reciclada
em 2005. Em 2004, o índice foi de 96%. Os números brasileiros
superam países industrializados como Japão e EUA. Em 2005, os
Estados Unidos recuperaram 52% de suas latinhas. O alumínio é reciclável
sem perder as suas características, por isso latas e outros
tipos de sucata (perfis, panelas, peças fundidas,
etc), podem ser reutilizadas como outros produtos semi-manufaturados
de alumínio, com características técnicas
necessárias para atender às diversas aplicações.
Limitações: A contaminação
com matéria orgânica, a mistura com outros materiais, areia
ou até mesmo excesso de umidade interferem na reciclagem do alumínio,
dificultando sua recuperação para usos mais nobres.
Plásticos
|
16,5% dos plásticos rígidos e filme são
reciclados em média no Brasil, o que equivale a
cerca de 200 mil toneladas por ano. Não há dados
específicos para o plástico filme. Em média,
o material corresponde a 29% do total de plásticos
separados pelas cidades que fazem coleta seletiva. A taxa
de reciclagem de plástico na Europa há anos
está estabilizada em 22%, sendo que em alguns países
a prática é impositiva e regulada por legislações
complexas e custosas para a população local,
diferentemente do Brasil, onde a reciclagem acontece de
forma espontânea. O Brasil ocupa o 4º lugar
na reciclagem mecânica do plástico, ficando
atrás, apenas da Alemanha, Áustria e EUA.
Em 2004 a Europa reciclou 10,5% dos plásticos, o que
equivale a 48 mil toneladas.
Limitações: A
contaminação
do material com a matéria orgânica, areia
ou óleo e a mistura de polímeros que não
são quimicamente compatíveis prejudicam o
processo de reciclagem. Sendo assim, os vários tipos
de polímeros precisam ser identificados e separados,
através dos símbolos padronizados que identificam
cada material.
PET – Poli (Tereftalato de Etileno)
O índice de reciclagem brasileiro do PET é de 51,3 %, o maior do mundo entre os países onde não há coleta seletiva. Em 200 6 , o volume reciclado foi de 19 4 mil toneladas de embalagens de PET . A capacidade instalada é de 24 2 mil toneladas. Entre os estados brasileiros, São Paulo detém a maior participação na reciclagem, seguido de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PET reciclado é utilizado principalmente para a produção de fibras de poliéster (40%), extrusão de chapas ( 16% ) e filmes para termoformagem (15%). Vários outros setores, entretanto, utilizam as embalagens de PET recicladas como matéria-prima: resinas para tintas, vernizes, adesivos e resina poliéster , tubos e vários outros.
No Brasil, 51,3 % das embalagens pós-consumo foram efetivamente recicladas em 200 6 , totalizando 1 94 mil toneladas , num crescimento de 11,5% sobre o ano anterior . As garrafas são recuperadas principalmente através de catadores, além de fábricas e da coleta seletiva operada por municípios. Os programas oficiais de coleta seletiva, que existem em mais de 200 cidades do País, recuperam por volta de 1000 toneladas por ano. Além de garrafas descartáveis, existem no mercado nacional 70 milhões de garrafas de refrigerantes retornáveis, produzidas com este material. No Brasil a taxa de reciclagem de resinas de PET apresenta crescimento anual acima de 20% desde 1997, com picos de 35% (entre 2002/2003). Entre 2003 e 2004 o crescimento da indústria recicladora de PET foi da ordem de 22%.
Cinquenta e oito indústrias processam o PET pós-consumo, produzindo bens como embalagens para não-alimentícios, fibra de poliéster para indústria têxtil, mantas para obras de geotecnia, vassouras e escovas, cordas, produtos de uso doméstico, tubos para esgotamento predial, telhas, filmes, chapas, etc.
Limitações: O consumidor ainda não está totalmente informado sobre a possibilidade de reciclagem e o conseqüente valor econômico da garrafa PET pós-consumo. Com isso, as embalagens acabam descartadas no lixo comum. Por outro lado, a falta de sistemas eficientes de coleta seletiva impedem a recuperação das garrafas, que acabam perdidas em aterros sanitários e lixões.
INDICES
DE RECICLAGEM NO BRASIL E NO MUNDO
Reciclagem
no Brasil e no Mundo
|
| A Reciclagem
de Plásticos |
| Brasil |
17,5% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
5% |
| Chile |
Menos que 5% |
| Alemanha |
60% |
| Espanha |
17% |
| França |
15% |
| República Tcheca |
27% |
| Bélgica |
28,5% |
| Polônia |
7% |
| Suécia |
17,6% |
| Luxemburgo |
28% |
| Estados Unidos |
13,5% - maioria garrafas de refrigerantes,
água e leite |
| Colômbia |
6% |
|
Fontes: Cempre - somente pós
consumo/Pro-Europe/EPA (2001)/Tetra Pak Américas
|
| Reciclagem de Papel/Papelão |
| Brasil |
43,9% papelcartão
73% papelão ondulado |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
10% |
| México |
60% |
| Espanha |
52,7% |
| França |
45% |
| República Tcheca |
62% |
| Noruega |
51% |
| Polônia |
38% |
| Suécia |
43,7% |
| Portugal |
16% |
| Luxemburgo |
85% |
| Estados Unidos |
55% |
| Colômbia |
35% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas
(1999)/Pro-Europe/EPA (2001) |
| Reciclagem de latas de aço |
| Brasil |
45% - latas em geral
78% - latas de aço para bebidas |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
15% |
| Chile |
10% |
| Peru, Bolívia e Equador |
25% |
| Espanha |
45% |
| República Tcheca |
35% |
| Bélgica |
96,5% |
| Suécia |
62% |
| Estados Unidos |
59% (maioria latas de aço) |
|
Fontes: Cempre - somentes
pós
consumo/Pro-Europe/EPA (2001)/Tetra Pak Américas
|
| Reciclagem de vidro/apenas
embalagens |
| Brasil |
44% |
| Chile |
5% |
| México |
50% |
| República Tcheca |
57% |
| Letônia |
27% |
| Noruega |
87,2% |
| Polônia |
13% |
| Suécia |
87,5% |
| Estados Unidos |
22% |
| Colômbia |
16% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas/Pro-Europe
(2002)
|
| Reciclagem de embalagens de
alumínio |
| Brasil |
87% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
60% |
| Alemanha |
97% |
| França |
20% |
| Noruega |
60% |
| Polônia |
15% |
| Portugal |
7% |
| Estados Unidos |
49% |
| Colômbia |
38% |
|
Fontes: Cempre
- somente pós consumo/Tetra Pak Américas/Pro-Europe/EPA
(2001) |
| Destino dos resíduos
sólidos urbanos |
| País |
Aterros |
Incineração
com
recuperação
de energia |
Compostagem |
Reciclagem |
| Brasil |
90% (aterros ou lixões) |
____ |
1,5% |
8% |
| México |
97,6% (aterros ou lixões) |
____ |
____ |
2,4% |
| Estados Unidos |
55,4% |
15,5% |
29,1% compostagem + |
reciclagem |
| Alemanha |
50% |
30% |
5% |
15% |
| França |
48% |
40% |
12% compostagem + |
reciclagem |
| Suécia |
40% |
52% |
5% |
3% |
| Austrália |
80% |
Menos de 1% |
Insignificante |
20% |
| Israel |
87% |
____ |
____ |
13% |
| Grécia |
95% (aterros ou lixões) |
____ |
____ |
5% |
| Itália |
80% |
7% |
10% |
3% |
| Reino Unido |
83% |
8% |
1% |
8% |
| Holanda |
12% |
42% |
7% |
39% |
| Suíça |
13% |
45% |
11% |
31% |
| Dinamarca |
11% |
58% |
2% |
29% |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/EPA/Nolan - ITU Pty (2002)
|
| Geração de resíduos
sólidos urbanos per capital |
| País |
kg/hab/dia |
| Brasil |
0,70 |
| Uruguai |
0,90 |
| México |
0,87 |
| Estados Unidos |
2,00 |
| Canadá |
1,70 |
| Alemanha |
0,90 |
| Suécia |
0,90 |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/Pro Europe/EPA (Enviroment Protection
Agency) EUA (2002) |
| Composição dos
resíduos sólidos urbanos |
| |
Orgânico |
Metais |
Plásticos |
Papel/Papelão |
Vidro |
Outros |
| Brasil |
55% |
2% |
3% |
25% |
2% |
13% |
| México |
42,6% |
3,8% |
6,6% |
16,0% |
7,4% |
23,6% |
| Estados Unidos |
11,2% |
7,8% |
10,7% |
37,4% |
5,5% |
27,4% (com resíduos de tipo vegetal,
têxtil e madeira) |
|
Fontes: Cempre/Tetra
Pak Américas/EPA (2002)
|
| Reciclagem de resíduos
orgânicos |
| Brasil |
1,5% |
| Argentina, Uruguai e Paraguai |
Menos que 5% |
| Estados Unidos |
59,3% |
|
| Fontes: Cempre
- somente pós consumo/EPA (2001) |
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