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Brasil continuará a crescer em 2010

As perspectivas para a economia brasileira são bastante positivas não apenas para 2010, mas por um longo prazo. Essa foi uma das principais análises feitas por Odair Abate (foto à direita), economista-chefe de investimento do Private Banking Santander, no Almoço de Final de Ano da ABRE realizado em dezembro, no Espaço Nobre, em São Paulo. O economista explicou para os participantes do evento que a justificativa para tamanho otimismo reside na performance do país em 2009, um ano que anunciou uma das piores recessões desde a crise de 1930. "Nesse ano catastrófico, especialmente para Estados Unidos e Europa, o Brasil fecha com um crescimento entre 0% e 0,5%." Já em 2010, a previsão é voltar para uma taxa de crescimento ao redor dos 3,5%. "E sabemos que esse é um número tímido, conservador. Alguns indicadores chegam a sugerir um crescimento de até 5%."

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No resto do mundo também há sinais de recuperação, porém mais fracos. "Nos EUA, por exemplo, essa recuperação não pode ser desprezada. Na União Européia, Alemanha, Itália e França estão bem melhores que países como Espanha e Irlanda; eles já demonstram uma recuperação, embora não homogênea, visto que ainda há o entrave da fragilidade do sistema financeiro." Além disso, Abate diz que a estrutura desses países europeus não sinalizou para a recuperação do volume de crédito, sem contar a baixa crença no futuro.

Nesse contexto, países emergentes como Brasil e China, tendem a ter um 2010 bem melhor que o do resto do mundo. Especificamente no caso brasileiro, o economista cita como pontos que favoreceram o desempenho de 2009, o sistema financeiro sólido e o baixo volume de crédito; os investimentos em renda variável em menor nível que em outras partes do mundo; perdas pouco significativas do setor imobiliário; reservas internacionais elevadas e uma economia relativamente fechada; e a forte sensibilidade aos estímulos fiscais. "De fato, não estar em uma situação muito melhor no início da crise ajudou muito o Brasil", pondera.

Para 2010, a geração de empregos e a disponibilidade de crédito continuarão a impulsionar a confiança do brasileiro e a espantar qualquer sensação de empobrecimento. O economista também afirma que qualquer pressão inflacionária ainda está muito distante da economia brasileira. Segundo Abate, os juros que no final de 2009 giravam ao redor de 8,75%, não devem ultrapassar, até junho de 2010, 10,75% o que contribuirá para não alterar o perfil de sustentação da economia local e seu conseqüente crescimento.

Mas existem riscos e os principais são: saídas políticas para os juros brasileiros e os estímulos fiscais (risco médio); ausência de espaço do crédito nos países desenvolvidos (risco médio); surpresas negativas na economia chinesa (risco baixo); eleições e gestão fiscal no Brasil (risco baixo); baixo nível de investimento produtivo no Brasil (risco alto); e educação no Brasil (risco médio). "É claro que precisamos manter o otimismo, mas não de forma ufanista. O Brasil ainda tem que fazer a sua lição de casa", aconselha Abate.

O almoço de Fim de Ano ABRE contou com o patrocínio das empresas BTS – Brazil Trade Shows, Braskem, Coim, Henkel e Oitava Arte.