Crise mundial de alimentos pode ser oportunidade para o Brasil
Principal consumidora de embalagens no Brasil e no mundo, a indústria de alimentos é sem dúvida uma
das mais influentes no cenário internacional. Este papel intensificou-se com o anúncio recente da inflação
mundial dos alimentos impulsionada, basicamente, pela redução dos estoques mundiais de alimentos, aumento
da renda e do consumo dos países emergentes, desvio da produção de milho dos EUA para a produção de
etanol, aumento dos custos dos fertilizantes pela alta do petróleo, mudanças climáticas e movimentos
especulativos com commodities.
Segundo Edmundo
Klotz (foto), Presidente da ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentação) e
palestrante no Café da Manhã da ABRE de junho, realizado no Hotel Sofitel, em São Paulo, "esta situação deve perdurar e
pode representar uma oportunidade para a indústria brasileira desde que questões como inflação importada e
dependência da importação de fertilizantes, adubos e trigo sejam resolvidas".
E completa, "tudo depende de um quadro de sustentabilidade de aumento de produção alavancado
por iniciativas privadas e governamentais". Segundo ele, "o Brasil tem duas saídas: aumentar a área plantada
ou entrar de cabeça em um processo tecnológico".
Já por conta deste cenário, o setor gerou o maior superávit do país em 2007
– US$ 24,1 bilhões – a partir de
US$ 26,6 bilhões exportados contra US$ 2,5 bilhões importados. O principal mercado para os alimentos brasileiros
é a Comunidade Européia (28,8% das exportações); o segundo é o Oriente Médio (13,6%); o Brasil exporta
para cerca de 120 países. "Somos um dos poucos países do mundo totalmente independente e auto-suficiente
em alimentos e que já exporta 22,5% de seus alimentos industrializados".
Independente das oportunidades internacionais, Klotz reforçou o potencial do mercado interno,
especialmente na área de food
service (preparo de alimentos fora do lar). "Hoje 25% dos alimentos brasileiros são
consumidos por este setor que cresce uma média de 10% ao ano. Na Europa e EUA este número chega a 50%, reiterando
seu potencial."
Outras oportunidades, embora mais tímidas, vêm de produtos orgânicos, nutritivos e fortalecidos,
diet e light, prontos e semi-prontos, e funcionais. Dos R$ 230,6 bilhões faturados pelo setor de alimentos processados
em 2007, R$ 213,8 bilhões foram alimentos tradicionais, R$ 12,5 bilhões
diet e light, R$ 2,2 bilhões orgânicos e
R$ 2,1 bilhões funcionais. "É interessante perceber como o consumo de produtos
in natura tem caído sensivelmente nos últimos anos. Em 2006 eles tinham uma participação de 18% no total; em 2007 esta participação caiu
para 15%."
Mas os entraves existem e o principal deles ainda é o grande número de tributações. Os tributos finais do
setor chegam a 37%, sendo o mais alto do mundo. Em Portugal, que é o segundo país do mundo mais taxado na
área de alimentos, os tributos chegam a 8%.
A embalagem, para Edmundo Klotz, de forma alguma é um entrave e sim uma oportunidade,
especialmente para ajudar o setor a aumentar as exportações de produtos industrializados com maior valor agregado.
A indústria brasileira de alimentos e bebidas investe cerca de US$ 16 milhões por ano em embalagem. Este é
um dado estimado, baseado no universo da ABIA, cujos associados representam cerca de 73% do faturamento
do setor.
O Café da Manhã da ABRE com o Presidente da ABIA foi patrocinado pela Fispal Tecnologia,
Braskem, Indexflex, Papirus e Klabin.
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