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Psicologia da Embalagem

A embalagem popular representa, antes de tudo, a economia aliada aos padrões etnográficos do homem, situando-o como criador e a embalagem como bem material que carrega em si o espaço da sua criação. É um caso antropológico que reúne elenco de formas, materiais e intenções de usos que, unidas, buscam solucionar gostos, estéticas, transportes, adornos, entre outras necessidades presentes no cotidiano dos grupos sociais ou em ocorrências cíclicas, principalmente nas festas, nos ritos de passagem, como os batizados, casamentos ou em iniciações religiosas, buscando sempre a embalagem, com todo o seu conteúdo simbólico, ocupar seu lugar funcional, antes de tudo, explicitamente útil.

As embalagens, nos seus muitos exemplos, atestam tecnologias emergentes ou continuam processos tradicionais, ora aliados à personalidade cultural dos grupos, revelando respeito aos sistemas ecológicos, onde as matérias-primas naturais se unem aos conhecimentos tecnológicos regionais através da ação artesanal na sua concepção mais plena, o fazer com as mãos.

Esse fazer está integrado não apenas nos trabaIhos de fazer e solucionar os muitos tipos de embalagens, ele acompanha o homem nas suas lidas diárias, nos campos, nos rios, nos mares, conduzindo os rebanhos, nas coletas de frutas, nas transformações da mandioca, do milho, da cana-de-açúcar, do café, do sal, do cacau, do leite, entre muitos outros produtos. É o domínio da técnica nas conquistas dos trabalhos, uns criativos, outros adaptativos ou mesmo seguidores dos modelos impostos pelo saber popular, fundamentalmente assentado na vertente da decisão cultural, onde os princípios étnicos vigoram pelo valor da eficácia.

Tudo que é processado pela mediação da técnica, virtualmente passará a ser o alimento, a indumentária, o objeto ritual, entre uma infindável lista de produtos que encontram novamente nos caminhos dos fazeres artesanais a presença de embalagens, que carregam em si o valor da síntese visual, devendo possuir textura, formato e material adequados para que realmente ela –embalagem–, possa funcionar como proteção, como aparato simbólico,
atestando também o que é o seu próprio conteúdo.

Também a psicologia social muito contribuirá para um melhor entendimento da embalagem popular enquanto marca do pensamento da cultura. Importam, nesse campo do saber, os comprometimentos éticos do embalar, do oferecer a embalagem, as posturas sociais diante da entrega, da venda, do presente, da obrigação religiosa, entre outras. Tudo é revelador da intenção, tudo interessa para conduzir ao entendimento complexo da embalagem nas relações hierárquicas entre as pessoas, onde o chamado papel de presente, por exemplo, muito se assenta nos cuidados das ofertas, nos verdadeiros preparos cerimoniais do embalador, culminando com o presente em si, conseqüentemente ganhando sua projeção psico-social." Raul Lody

Este texto foi extraído do livro comemorativo de 50 anos da empresa Dixie Toga - "Embalagem, arte e técnica de um povo"


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